segunda-feira, 7 de março de 2011

Mais do que natural!

Enganam-se aqueles que dizem que o Porto, este fim-de-semana, sagrou-se campeão. Para mim, sagrou-se campeão lá para Junho ou Julho, quando se decidiu por Villas-Boas. Mostrou em Agosto que estava mais forte do que o adversário directo e carimbou em Setembro, com um excelente arranque de campeonato, coincidente com um péssimo arranque do Benfica.

O Porto foi muito inteligente em ir buscar o André Villas-Boas. Para os seguidores deste blogue, sabem que eu sou fã do André. Identifico-me em muitas coisas com ele e partilhamos da mesma visão.

Quanto ao plantel, construiu um plantel equilibrado, jovem, com mais Portugueses. Na minha opinião, a faltar um ponta-de-lança. Mas até aí acho que partilhamos a mesma opinião pois acho que não é por culpa dele que só temos dois avançados de raíz. Agora, é por culpa dele que temos na realidade apenas um ponta-de-lança no plantel pois parece que Walter não faz parte. Nós não sabemos do que se passa, mas é muito estranho um suplente tão caro nunca ser alternativa no onze titular. Para mim, é o lado negro das escolhas do Villas-Boas.

Desde início, soube manter os jogadores motivados, exercendo uma política de rotação dentro do plantel minimamente coerente. Acho que o Hulk e o João Moutinho foram os únicos elementos excessivamente utilizados. Mas, se no caso do primeiro acho que é ele que pede para jogar, já no caso do segundo, não estranho. Lembro-me que o João Moutinho, no Sportingm sempre foi um jogador de fazer quase todos os jogos, de raramente se lesionar e de estar sempre disponível. No entanto, acho que a forma recente dele pede algum descanso. Mas fora estes dois casos, todas as posições foram devidamente alvo de rotação: Otamendi, Maicon e Rolando; Fucile, Sapunaru; Rafa e Álvaro (estes mais devido à lesão do segundo); Guarín e Fernando; Belluschi e Micael; James e Varela; Falcão e Hulk. Em suma, também aqui o André foi superior ao seu homólogo da Luz.

Em campo, o Porto é mais forte e mais equilibrado do que os adversários. É uma equipa que controla os jogos e gere muito bem o ritmo dos mesmos. Sabe quando deve aumentar e diminuir a intensidade dos jogos e deve muito disso a João Moutinho. Faz pressing muito alto e sobe a linha da defesa para aumentar a possibilidade de a bola estar sempre no meio-campo do adversário. Já me queixava da ausência destes princípios de jogo nos últimos tempos do Jesualdo e foi com enorme alegria quando comecei a ver o Porto do Villas-Boas. Depois, basta olhar para classificação: mais pontos, mais golos, menos sofridos, melhor marcador, jogador com mais assistências, melhor jogador de Agosto a Janeiro...enfim, que domínio avassalador.

Também no confronto directo com o Benfica, nunca foi inferior, mesmo na derrota caseira para a Taça. Mas foi muitas vezes superior. Ás vezes, demasiado superior. E deixou isso bem expresso em jogo do campeonato no Dragão!

Com tudo isto, é mais do que natural o Porto voltar a sagrar-se campeão. É algo habitual neste clube. As pessoas esquecem-se disso! Para os Portistas, o natural é ser campeão. Não é excepção, é hábito. Não precisamos de anunciar aos quatro ventos a nova etapa do futebol Português. Isso fica para aqueles que surgem esporadicamente e bebem demais antes duma final da Taça da Liga.

Contudo, há que dar os parabéns ao Benfica. Deu muito valor ao Porto. Esteve forte, muito forte. Jogou bem, muito bem. Muitas vitórias seguidas. Quebrou recordes. Mas não foram suficientes para o Porto. Na máxima força, não chegaram para o Porto.

Agora, não preciso de ser profeta para adivinhar a campanha que virá (aliás, já começou há muito) para descredibilizar este título e atribui-lo às más arbitragens, ao levar ao colo do Porto, ao Pinto da Costa comprar tudo e todos. Para esses, só vos digo: calai-vos! No ano passado, foram bem melhores. Parabéns! Este ano fomos nós.

O que mais entristece estas pessoas é que elas sabem que para o ano, em condições normais, continuaremos a ser os melhores. No ano seguinte, novamente...e assim sucessivamente!

1 comentário:

  1. no fundo, esta conclusão vem entroncar naquilo que disse o Xiko mais atrás: isto é um país de desculpadores profissionais...
    no ano passado, o benfica foi um pouco mais forte que braga e bem mais forte que um FCP um pouco à toa. este ano, um benfica que tinha até esta jornada apenas menos um ponto que no ano passado (e mesmo com não sei quantas vitórias seguidas), fica abaixo de um FCP que, mesmo que nem sempre jogando bem, ganha quase sempre, e mais, dá sempre aquela ideia de que, mesmo que com sorte, ou com um golo fortuito, vai conseguir o resultado desejado. logo, é o melhor.

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