quinta-feira, 29 de abril de 2010

Paupérrimo

Costuma-se dizer que cada um usa as armas que tem para ganhar. Mas ontem foi um exagero. Que jogo paupérrimo do Inter. Que jogo paupérrimo para uma meia-final da Liga dos Campeões. Ninguém esperava que o Inter fosse jogar de peito aberto a Barcelona. Mas poucos esperavam que fosse jogar com 10/11 jogadores nos últimos 30 metros do campo.

Para a história, ninguém se vai lembrar da forma como o Inter chegou a esta final. Vão-se recordar que eliminaram de forma categórica o Chelsea de Ancelotti, foram à Rússia despedaçar as esperanças do CSKA e que eliminaram a melhor equipa do mundo. Isto vai ficar para a história. No entanto, a história vai se esquecer de como o conseguiram.

Para os mais atentos, em todo o jogo, o Inter fez um remate. UM REMATE. Meia-final da Liga dos Campeões. Muito, muito triste! É certo que se viu a jogar com 10 ainda na primeira parte. Mas jogar com Eto'o e Milito a defesas alas, é extraordinário. Nunca "autocarro" fez tanto sentido na gíria futebolística como ontem. Espero que o Mourinho nunca mais tenha a ousadia de se queixar de uma equipa que lhe faça o mesmo.

É certo que eclipsou o Xavi e o Messi. Se bem que o Messi fez o que pode frente aquela muralha, criando ainda algumas situações. É certo que parou o que parecia imparável. Mas a forma como o fez...Futebol não é isto. Uma meia-final da melhor competição do mundo de clubes não merece um jogo e uma mentalidade destas.

Mourinho, em Milão, mereceu os mais rasgados elogios. Em Barcelona, merecia ter que reembolsar todas as pessoas que foram a Camp Nou para assistir futebol e viram uma batalha da idade média: uma muralha a resistir como podia contra os avanços de um exército que queria conquistar a vitória. Espero que na final o Inter, ao menos, faça um remate...em cada parte do jogo.

PS - Engraçado que as equipas que se deslocaram de autocarro na 1ª mão foram eliminadas. Coincidências? Talvez, mas tristes.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Paulo Sérgio: Bah...

O Sporting deste ano foi um Sporting para esquecer. A fazer um dos piores campeonatos de sempre, conseguiu atingir patamares impensáveis para um grande. Basta falar dos 28 pontos que distanciam o Sporting do Benfica. Para os matemáticos, o Sporting perdeu um ponto por jornada para o Benfica. É demasiado!

Com um plantel assumidamente fraco, apostado em manter a prata da casa, que vinha consecutivamente a ficar em 2º, e a começar a época cedo demais, o Sporting de Paulo Bento, o intocável, conseguiu ser uma sombra do que tinha habituado os seus adeptos. Falhada a classificação para a Liga dos Campeões e uma quantidade notável de jogos sem vencer, o intocável foi tocado pelo seu maior fã, o presidente do Sporting. Sem rei nem roque, contratou um treinador para 6 meses, Carlos Carvalhal. Os adeptos torceram o nariz e pensaram "vá, é só mais seis meses".

No entanto, Carlos Carvalhal até realizou um trabalho a roçar o razoável. Apanhou um plantel desmoralizado e na mó de baixo, apanhou um pugilista profissional como director desportivo (Sá Pinto) e um presidente que percebe mais de banca do que de futebol...o que lhe faltaria apanhar mais? Lá fez o seu trabalho...Mas sem antes sofrer mais alguns casos caricatos! Após o ressuscitar do pugilismo em Alvalade, Sá Pinto demitiu-se e foi substituido por Costinha. De pugilista para ministro, a mudança até pareceu agradável. Apesar disso, começo a ter as minhas dúvidas. O romance falhado com Villas-Boas, a birra com Izmailov, a palhaçada na Luz, a comunicação do novo treinador (e consequente dispensa do corrente) demasiado cedo... Enfim, muitos casos em pouco tempo que me levam a pensar que o Costinha não assistiu a todas as aulas do Dragão.

A última decisão foi mesmo agridoce. Paulo Sérgio. Novo treinador do Sporting. Reacções?

Penso que a maior parte reagiu como eu com o típico "É Português, conhece a nossa realidade...". Geralmente, isto é sinónimo de "Enfim, mais do mesmo". O que para as necessidades do Sporting, não é nada de bom.

Paulo Sérgio não é mau, mas ainda não provou que é bom. É certo que deu bons sinais: finalista na Taça com o modesto Paços de Ferreira, um Vit. Guimarães europeu sem ter começado lá a época. Bons sinais, sem dúvida. No entanto, não gera as mesmas expectativas que um Villas-Boas, que tem ainda menos e, neste momento, está altamente cotado. Pode ser só fogo de vista, mas sabe-se vender.

Paulo Sérgio é mais discreto e, na minha opinião, a auto-estima do Sporting está tão em baixo que precisava de um nome sonante. Um nome que fizesse os adeptos correrem a comprar bilhetes e camisolas para a próxima época. Um nome que fizesse os adeptos terem a ilusão de que vão voltar a ganhar. Paulo Sérgio vai começar com o estigma de ter sido a segunda escolha, o plano B e vai precisar de tempo para poder conquistar a massa adepta leonina. Será que vai conseguir obter esse tempo?

O meu conselho para o Costinha é que aprenda com os Ingleses e que pelo menos dêm uma época ao Paulo Sérgio para fazer o seu trabalho. No pior das hipóteses, faz igual a este ano e fica provado que o modelo corrente de gestão da SAD leonina é inadequado. No melhor das hipóteses, diria eu, talvez a Champions.

Porto 2009|2010|2011

Visto o triénio do título, cheira, obviamente, a balanço(s). E esta temporada que se apresta para terminar é o centro das atenções. Falemos então do Porto.
Quem é Tetra quer ser Penta. É uma gradação óbvia e objectiva e um alvo fácil de definir e quem tem de ser fácil de conquistar. Porquê? Porque quem é Tetra tem que ser Penta. Ainda que os adversários se reforcem (de jogadores o Benfica, de estruturas o Braga, de problemas o Sporting). O que fez o Porto? Primeiro, manteve o treinador, e bem! Jesualdo nunca foi unânime no Dragão, mas roçou tal estatuto depois daquela noite tão gloriosa como trágica de Old Trafford. Juntou-lhe o Tetra e a Taça e estava lançado para a tal unanimidade. Ele que é um homem que trabalha mais do que o que fala ou se pavoneia e que por isso está mais longe de unanimidades, por não ter carisma e impacto social sobre os demais. É um antigo, como diz a malta da contemporaneidade. Ao contrário de Mourinho, que elaborava balanços de épocas com 2 colunas - dispensas e contratações, Jesualdo habituou-se, desde que entrou, a preencher um post-it com o nome dos intocáveis. A sua chegada coincidiu com o fim do deslumbramento da sad com as glórias europeias da primeira metade da década e com um reforço do paradigma sul-americano nas contratações: Argentina, Uruguai e Colômbia, centros de aquisição privilegiados de jogadores. A juntar, uma esbatida, senão esbatidíssima aposta no Projecto Visão 611, e um controlo (?) de despesas... com o plantel! Assim, o tal post-it dos intocáveis, no qual devem ter constado Anderson e Pepe primeiro, Bosingwa, Assunção e Quaresma depois, e Lucho, Lisandro e Cissokho no Verão passado, deve ter sido colocado no local errado. Certamente no painel das vendas que, com o passar do tempo, e a perda da cola, lá caiu, invariavelmente, no bolso dos administradores e no dos intermediários atlânticos de contratação pan-americana! Por aqui tudo começou a desandar. Em 3 épocas o Porto vendeu sempre os jogadores mais valiosos, não os mantendo, nem retendo, nem motivando, compensando-os, melhor ou pior, com bátegas de jogadores. Se os segundos [jogadores atrás citados] substituíram os primeiros e os terceiros os segundos, as contratações deste ano sublimaram Lucho, Lisandro e Cissokho. Sobretudo Lucho. Não há treinador que aguente face a esta razia. Por aqui se vai tapando a manta, por ali também, mas algum dia os pés ficam de fora. E há que burilar uma nova, com mais tempo e outra malha, para que os pés se tapem novamente. Escolhido ou não por Jesualdo, este plantel não serviu os interesses do Porto. Porque grande parte dos reforços não prestou nem presta, porque os que cá estavam não tomaram o relevo dos que saíram (casos de Fucile, Bruno Alves, Meireles ou Hulk) e porque os melhores até foram alguns dos novos, com Varela e Falcao à cabeça. Foi verídico o interesse em três homens: Pastore, Honda e Salvio. Homens de contraste, classe e qualidade, quase todos homens por fazer e meninos. Caros? O barato é que sai caro. Senão vejamos: Belluschi+Valeri=7/8 milhões! Quanto custou Pastore ao Palermo? E Honda ao CSKA? E Salvio ao Atlético? O mesmo que teriam custado Pastore+Castro, ou Honda+Ukra ou Salvio+Hélder Barbosa.


A erros de casting a mais e tempo a menos para formar uma equipa, para além de ilusões e desilusões trágicas, há que juntar um modelo de jogo e opções tácticas menos felizes. Relembremos que o Porto até começou bem a época, frente ao Chelsea em Londres, com Varela e Falcao no banco, lembram-se? Que longe estávamos do Porto de alguns meses depois. As experiências foram mais que muitas e o desastre estava para vir: Braga, Luz, Alvalade, Emirates, Algarve... Cinco penadas num quadro de fraco valor e catadura. Juntem-se os empates com Belenenses, Paços e Olhanense em casa, mais Leixões e Paços fora e a derrota no Marítimo (péssima exibição) e não encontramos muitas mais falhas. Mas foram as suficientes e são imperdoáveis. A juntar a um corolário grandes investimentos no Benfica, de consumação, finalmente, dos mesmos e ao Super-Braga, e temos o terceiro lugar que nos compete. Salvou-se a dispensa, finalmente também, de muitos dos emprestados e a redução do plantel a contrato para menos de 50 jogadores, bem como a utilização de alguns jovens do tal Projecto Visão 611. Mas a mossa é grande e os estragos vários. O treinador está gasto e deverá sair. Mas repô-lo com quem? O plantel está cheio de más opções e muitos deverão sair. Mas vendê-los a quem? A sad está confusa e não abdica de paradigmas, luxos, prémios e chorudas remunerações e deveria repensar-se, senão sair. Mas não saem e alternativas, onde estão? Rui Moreira, pois. Nunca avançará enquanto Pinto da Costa lá estiver. Nem ele nem ninguém. Seria queimar o pequenino e único cartucho que terão para gastar no dia em que o senhor morrer. Rodeado dos seus adeptos e de chorudas contas, financiadas por muitos desses seus adeptos. Também já o fui e creio que o senhor e os seus pares ainda poderão surpreender-nos. Mas prevejo, com mais firmeza, a entrada numa perigosa espiral política, financeira e social, que nos leve a uma decadente vivência longe dos grandes jogadores, das grandes vendas, dos grandes palcos, dos grandes contratos e publicidades, em detrimento de quem mais profissional e manhoso tem sido!
Toda a gente sabe onde é que este Porto foi menos Porto esta época. O tal 2011 do título será tudo aquilo que a sad quiser e souber querer. Com competência ou incompetência. Que Johnny Nash os inspire e nos faça continuar a acreditar que não são grades de cerveja que terminam o ciclo vencedor do Porto no Portugal democrático. Nem azelhices em série, em benefício dos interesses meramente pessoais. Mais do que nunca, queremos ser Porto. Mas é preciso sê-lo, não parecê-lo!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Juris(im)prudência? II

Mais uma achega, que pode ser importante, se não determinante:
"pelo que já tinha ouvido falar sobre isto, esta regra só se aplicaria caso todas as equipas fossem da mesma confederação (uefa, concacaf, ou outra...). foi assim que o liverpool se safou com o mascherano, por exemplo...
ou seja, é um caso sem caso, à partida..."
(O meu enorme amigo Nelson Loureiro, distinto colaborador deste painel!)

Juris(im)prudência?

Caríssimos! Atentem nas seguintes fotos:







Pois é, Kardec em 3 clubes na mesma época! Ora, diz a lei, que a 3a equipa, a infractora, pois é a que infringe os regulamentos, tem de ser penalizada! Se em pontos se em multa pecuniária, não sei. Sei que no caso do Meyong, ainda no Belenenses, o clube perdeu 3 pontos pela infracção e mais 3 pelo jogo em que a infracção foi cometida, pela vitória obtida. Ora, se o caso se repetir, os 3 pontos a debitar ao Benfica são fáceis de ser subtraídos; já no caso do jogo em questão, se bem se lembram, foi o jogo que deu acesso à eliminatória seguinte... da Taça da Liga. Há competições assombradas, vitórias esquisitas e advogados do(s) diabo(s)! Esperemos para ver o que isto vai dar! Convinha era que desse, o que quer que seja!

Não havia necessidade...

...já dizia o Diácono dos Remédios.

Antes de começar este artigo, há algo que quero deixar bem claro: as posições ocupadas pelos clubes dos lugares cimeira da Liga Sagres são justos. Muito justos. Se acho que o Benfica vai ser campeão? Cada vez mais. Se acho que o Braga merece a Champions? Sem dúvida. Se o Porto merece o 3º lugar? Obviamente.

Como já foi dito anteriormente, o Porto pensou que vender o plantel todos os anos, encher os seus cofres (e bolsos de algumas pessoas) de euros e comprar nova mercadoria na América do Sul, para repetir o processo, era uma estratégia vencedora. Quando os adversários não estão bem, tem sido suficiente. Este ano não foi. Apesar de cansado do estilo de jogo do Porto, o Jesualdo é o menos culpado neste processo. Se fez más opções? Sim, fez. Se é um treinador demasiado cauteloso em jogos grandes? Para mim, é. Se tem a obrigação de criar uma equipa de futebol , a partir do nada, campeã todos anos? Não, não tem.

Dito isto, estes foram os principais problemas do Porto este ano. Mas não só. Além dos quinze adversários do campeonato, teve outro fora de campo chamado "Liga Portuguesa de Futebol Profissional". Apesar de não ter uma equipa em campo, ganhou sempre a 1ª mão nos seus confrontos contra o Porto. Implacável. Com goleadas incluídas!

Goleou o Porto ao castigar o Hulk por 4 meses e o Sapunaru por 6 meses. Goleou o Porto ao castigar o seu presidente, Pinto da Costa, por incorrer no incumprimento de um castigo, aplicando uma nova suspensão de 3 meses. Goleando fora das quatro-linhas, foi ganhando algumas finais, onde não há oportunidade para 2ª mão. Venceu dificultando a vida ao Falcão na lista dos melhores marcadores, anulando já dois ou três golos limpíssimos por fora-de-jogo. Depois, em jogos onde o Porto deixou 2 pontos constrangedores, empatando com equipas que deveriam ter sido vencidas, lá iam marcando um golo ou outro com penaltis por marcar (ainda me lembro do Ruben Micael em Leixões). Em compensação, lá ia dando uns rebuçados para calar o Porto, com expulsões ridículas e outras decisões erradas que já não teriam influência nos jogos. Em suma, o Porto foi completamente cilindrado por uma Liga implacável, na primeira parte da época.

Quando chegou a altura da 2ª mão destas eliminatórias, os resultados foram os que se conhecem. De 4 meses, Hulk passou a ter que cumprir 3 jogos. De 6 meses, Sapunaru limitou-se a ser castigado por 4 jogos. De suspenso, Pinto da Costa foi ilibado. Basicamente, o Porto deu a volta aos jogos, conseguiu ganhar os jogos da 2ª mão. Mas há sempre um "mas"...E este "mas" é que acabou por ser derrotado nas eliminatórias.

Quem vai retribuir ao Porto os jogos que o Hulk e o Sapunaru não jogaram por estarem injustamente castigados? Quem vai retribuir ao Porto os jogos paupérrimos de Hulk na Champions por estar sem ritmo competitivo? Não estou a dizer que a realidade seria diferente, mas ao menos não existiram estes "se" no ar.

Não estou a dizer que Ricardo Costa agiu premeditadamente a favor de um determinado clube (Benfica), apesar de ser o seu. Agora, agiu e muito mal. Está descredibilizado e ainda continua no seu trono, impune por tamanha maldade.

Este campeonato irá ficar sempre marcado por estes casos e manchar a magnifica época do Benfica. Em contraste com a época do Porto, o Benfica não teve casos (a prejudicar claro...pois Aimar parece ter tido aulas de voo com a águia Vitória), não teve lesões (o Porto teve Rodriguez, Varela, Micael, entre outros), não teve consequências nos túneis (a não ser a fortuna que teve de pagar pela vergonha que ocorreu na Luz contra o Porto), não teve estes contratempos.

Se o campeão é justo, caso seja o Benfica? Sem dúvida. Mas não havia necessidade de fazer o Porto passar por isto...

PS - Este fim-de-semana, mais um golaço da Liga. Aquele 5º amarelo ao Falcão é simplesmente ridículo. Nem precisam de ir muito longe, quando o treinador da equipa adversária admite que é injusto. Sendo assim, lá se vai mais uma solução na frente de ataque do Porto contra o Benfica, no próximo fim-de-semana. Novamente, não havia necessidade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quem joga com personalidade...

Não merece castigo! Assim, veja-se que:
1. Os responsáveis do FC Porto e do Desp. Chaves estão interessados que a final da Taça de Portugal se realize no Norte e não no Estádio Nacional. (21/04/2010)
2. O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) retirou o castigo de três meses de suspensão ao presidente do FC Porto, Pinto da Costa, afirmou esta sexta-feira à Lusa fonte do clube. Em causa está um castigo aplicado em Janeiro de 2010 pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que entendeu que o presidente do FC Porto violou um castigo anterior. (23/04/2010)

Uma questão de orgulho(s) e de pódio!



A três jornadas do fim, os três primeiros lugares estão entregues, há muito mais que três jornadas! Continua tudo à espera que o Braga caia, que o Benfica escorregue, que o Porto consiga milagres, e nada disso se verifica, pois em futebol não ocorrem milagres.
Sem escalpelizar muito, pois fá-lo-ei daqui a uns tempos, o Porto é terceiro com justiça. Pois foi melhor que os outros 13 abaixo e pior que o duo da frente. Sem fazer um grande exercício de memória, lembrem-se os 3 empates comprometedores com Belenenses e Paços, em casa, e Leixões fora, bem como as 3 confrangedoras derrotas em Braga, na Luz e em Alvalade, onde pior que o número de golos sofridos e a nulidade dos marcados (!), foram as exibições, impotentes, miseráveis, horríveis! E após boas exibições europeias (a derrota honrosa em Londres com o Chelsea e a goleada em Madrid ao Atlético, ainda que pobre) e a goleada ao Braga, no Dragão! Muito pouco mérito teve este Dragão este ano, a começar e a acabar pela SAD, que brincou ao mercado, comprou nos chineses e pouca força teve face a determinadas injustiças! O tempo dirá, mas salvam-se os nomes de Falcao, Varela e Micael, mais Álvaro Pereira e (o novo) Hulk, bem como Sérgio Oliveira e Miguel Lopes. E que pena Jesualdo sair assim. Assim, pouco orgulho, pouco pódio!
O Braga. O grande Braga, pouco brilhante e exuberante, mas eficaz e consistente. A minha vénia ao Domingos, ainda que o mesmo não me convença ainda totalmente. Pulverizou a pontuação do técnico anterior, bem como a capacidade física da equipa, a consistência exibicional e a mestria táctica (sim porque um mestre da táctica não sofre um golo como o 2º de Liverpool, de 3 contra 7!). Sem grandes figuras, valeu pelo colectivo e é a instituição futebolística nacional que mais se pode orgulhar este ano, pelo conseguido. Ainda não é uma estrutura campeã, pois falta-lhe maior maturação, maior qualidade e experiência, e observar os resultados do trabalho de formação que tem vindo a ser feito. Para além dos amigos na Liga, garantia de títulos, saída de túneis e manobras jurídicas de diversão! Assim, muito orgulho e um glorioso segundo lugar, com acesso a uma inédita Champions. Duradoura ou não, é deles por direito.
A terminar, o mais que certo campeão nacional. Glória aos vencedores e a uma estrutura que soube fechar-se e trabalhar com afinco e profissionalismo. Saboroso será este título, após um jejum de 16 anos, 4 vice-campeonatos e 1 título à la CalcioCaos pelo meio! (Comparem-se os 70 pontos conseguidos em 27 jornadas contra os 65, em 34, desse, dito, campeão) Será também uma conquista sempre manchada por protagonistas que não ficam bem na fotografia, como são os casos de Ricardo Costa, fiel intérprete de uma justiça tão sua e tão vermelha; um batalhão de operacionais, sempre dispostos a subir a cadeiras para virar câmaras de segurança ou a treinar um outro batalhão de stewards a agir em conformidade com a tal justiça e modus operandi vermelho; uns adeptos que não conseguiram estar 2 semanas seguidas sem levar o clube a ser multado; um treinador que não escapa à crítica, sem fleuma nem classe para a instituição, e a quem espera um belo ano de 2010, pois até nem me admirava que fosse passar o Natal a outras paragens; e uma SAD a procurar informar-se sobre o que é isso de fair-play financeiro (UEFA) e a matutar o que será participar em competições europeias daqui a 2 épocas... Isto para além de piscinazos e outros cazos que em nada enaltecem a instituição e só farão provar, num futuro bem próximo, que não é com sobrancerias nem grades de cerveja que se terminam ciclos vencedores nem se iniciam outros. A espelhá-lo, a curiosa nomeação do Sr. Lucílio Baptista, para Domingo, não vá o Bicho tecê-las... Porém, se não há orgulho por aqui, pelo menos na minha óptica, há esperança quando falamos de um Benfica campeão, dominador, goleador e entusiasmante como aquele que muitos vezes entrou em campo este ano e soube deliciar os seus adeptos e os do futebol também. De um Benfica que foi o mais digno embaixador lusa no futebol além-fronteiras. A forma excelente como um David Luiz se soube afirmar como um central de categoria já apreciável, e um Ramires como um médio e jogador notável, enriquecendo o campeonato pátrio. A exemplo de outros como o Ruben Amorim, o Coentrão jogador, o Di María e o Cardozo que balança as redes. Um campeão com mérito pois foi mais profissional e melhor que os outros e uma instituição que chega ao lugar mais alto do pódio e que tem que orgulhar-se por isso! Glória aos vencedores.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Questão de Justiça

Como muito de vocês sabe, um vulcão na Islândia resolveu acordar e chatear a Europa com o seu mau humor, em forma de cinzas. Devido a este acontecimento, a Europa ficou paralisada, em termos de tráfego aéreo. Nenhum avião se atreveu a levantar voo.

Um dos eventos afectados, foi esta jornada Europeia, que começou ontem em Milão, opondo o Inter ao Barcelona. A Fifa, face a esta imobilização, decidiu manter as datas e obrigar as equipas a deslocarem-se de autocarro. O Barcelona teve de fazer centenas de kms e, caso ainda o faça de autocarro, o Liverpool teria de gastar 20h de viagem até Madrid. O Lyon fez a viagem em dois dias.

Obviamente, isto representa um maior desgaste para as equipas visitantes, sendo, na minha opinião, um handicap importante. Numa altura da época em que a frescura física começa a escassear, ter de gastar dias numa viagem de duraria horas, parece não ajudar.

Sendo assim, o que acham, caros leitores, se as equipas, que agora vão ter o papel de visitantes, fossem obrigadas a deslocarem-se de autocarro, tal como as desta jornada tiveram de fazer. Não será injusto caso possam viajar normalmente e chegar mais frescos ao jogo decisivo do que os outros chegaram à primeira mão?

27ª Jornada: Quase tudo resolvido

Cada vez mais parece ganhar forma o campeão nacional deste ano. A três jornadas do fim, com seis pontos de vantagem (que são mais cinco, pois em caso de empate tem desvantagem com o Braga), o Benfica parece que não vai deixar fugir o campeonato deste ano. A comprovar esta ideia, o último jogo desta jornada.

Num jogo que teoricamente poderia se revelar complicado, o Benfica resolveu, jogando q.b. Sempre na liderança do marcador, o Benfica alicerçou a sua liderança frente a uma Académica atrevida. A Académica de Villas-Boas dá-me prazer de ver jogar pois é daquelas equipas que tenta jogar futebol de ataque. Este atrevimento deu dois golos contra o Benfica. No entanto, insuficientes para fazer frente aos três marcados pelo Benfica. Ao longo do jogo, deu a sensação que o Benfica ia gerindo o jogo de acordo com as necessidades.

Destaque para mais uma boa exibição de Weldon, o Mantorras 2010. Sempre que joga marca e a dobrar. Sem dúvida que tem sido um jogador útil neste final de época.

O Braga cumpriu as expectativas, lançando a pressão para o lado do Benfica, na 6ª Feira. Com uma boa exibição, especialmente de Alan, o Braga lá carimbou mais uma vitória e parece cada vez mais certo na próxima edição da Champions. O Porto também cumpriu em casa, numa altura em que apresenta os níveis mais elevados de consistência desta época, no entanto, é tarde demais. Com alguma sorte à mistura, lá construiu um resultado confortável em casa, frente a um Guimarães europeu. A maior curiosidade, diria, é saber se Falcão vai conseguir ganhar ou não o pódio de melhor marcador.

No fundo da tabela, as coisas ainda estão animadas. Na próxima jornada, um escaldante Leixões-Académica. É dos últimos balões de esperança que a equipa de Matosinhos tem. A Olhanense tem uma missão (quase impossível) na Luz, assim como os sadinos, ao receberem o Porto.

De resto, o campeonato começa a perder o interesse. Mesmo os próprios clubes parecem estar mais preocupados em planear a próxima temporada do que em terminar esta. O Sporting já anunciou o novo treinador (assunto que merecerá um artigo aqui no blog) e outros clubes também já estão a procurar novos nomes para assumir a equipa na próxima época. Infelizmente, é típico em Portugal, no final da época, quase todos os treinadores rodarem. Gostaria de perceber se não vale apena apostar num treinador mais um ano para ver se a equipa fica mais entrosada e identificada com o treinador. O que acham?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Taça de Portugal: Três propostas para a próxima edição

Adeus Jamor...ou nem tanto!
Já se falou aqui sobre toda a problemática do Jamor. Apesar de perceber a problemática presente, acho que tenho uma solução sensata para resolver a questão. A Federação, no ínicio de cada edição da Taça, nomeava três estádios nacionais candidatos a receber a final. Um estádio deveria situar-se no Norte, outro no Centro e, finalmente, o último no Sul de Portugal. Percebendo a necessidade de utilizar palcos que estão desvalorizados, eu nomearia o Estádio do Bessa, o Jamor e o Estádio do Algarve. Desta forma, o Jamor continuaria a ser um dos estádios de eleição para a final, juntamente com outro dois palcos sub-aproveitados. A eleição do estádio final seria ditada pela localização geográfica dos finalistas, dividindo a distância que separa os dois finalistas e apontando ao estádio mais perto. Caso fosse equivalente, faria-se um sorteio. Por exemplo, a final deste ano, com dois clubes do Norte, seria realizada no Bessa. Já para o ano, na final Olhanense - Rio Ave, seria utilizado o Jamor. Creio que já me fiz entender.

Dar vantagem aos clubes pequenos
Com base na classificação da época transacta, os clubes pequenos, até aos quartos de final, jogariam sempre em casa. Isto permitiria aumentar as suas hipóteses de vitória e, mais importante, permitir um importante encaixe financeiro. Por fim, também levar a festa da Taça a estádios remotos e a populações que têm poucas oportunidades de ver os grandes a jogar.

Duas mãos nos quartos de final
Quando terminasse a vantagem para as equipas pequenas, as etapas deveriam ser jogadas a duas mãos. Desta forma, permitira aos mais pequenos que estejam ainda nesta fase manter as vantagens acima numeradas, mas teriamos mais jogos num formato mais justo.

A beleza da Taça de Portugal

Este ano, vamos ter a oportunidade de assistir novamente a uma final inédita. Não é a final que todos esperavam, não é um embate entre os grandes do futebol Português mas é uma final que ainda nos permite continuar a utilizar a expressão "a festa da Taça".

De um lado, um gigante: o Porto. Do outro, vindo de Trás-os-Montes, os flavienses do Chaves. É a primeira vez que uma equipa oriunda de Trás-os-Montes chega à final da Taça. Sem estar na primeira liga, fase a fase, foi tombando alguns gigantes e, com mérito, chega a esta final da taça e, salvo erro, com grandes probabilidades de participar na Liga Europa, caso reúna condições para tal.

O Chaves foi à Figueira da Foz fazer o que parecia impossível: vencer na casa da Naval. Não que a Naval seja uma equipa por aí além mas já se encontra na Liga Sagres há alguns anos e a tendência vai manter-se este ano. No entanto, Taça é isto: os gigantes tombam e surgem as surpresas.

O Porto goleou na segunda mão o Rio Ave. Em claro decréscimo, os vila condenses somaram a segunda derrota consecutiva, esta semana, com o Porto, através de uns expressivos 4-0. Deste jogo, destaque para o golaço de Guarin, tipico golo de Liga Inglesa. Atendendo a quem é, de certeza que se enganou...

Na final, todos crêm que o Porto será o natural vencedor, mas como o povo Português diz, Taça é Taça.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Velhas questões

Amanhã a polémica reacender-se-á. Aliás, o rastilho já arde em profusão. O Desportivo de Chaves garantiu, com todo o mérito, a presença na final da Taça de Portugal, provando que ainda "há Taça", que Trás-os-Montes ainda existe para o futebol, que para lá do Marão mandam os que lá estão e que uma equipa em crise no campeonato, na iminência de cair (ou regressar) para o batalhão dos não-profissionais do futebol português, pode fazer mossa e pode fazer Taça! Isto é Taça!

Ora, a acompanhar os desconcertantes flavienses estará o vencedor da eliminatória entre o Futebol Clube do Porto e o Rio Ave. Dessa forma, a final, disputada entre equipas do Norte de Portugal, lá redundará no Campo de Oeiras. E porquê? Porque juntamente com o Benfica, este campo é a última e única reminiscência do Estado Novo, mantida incongruentemente viva mesmo quando a apologia ao fascismo é proibida pela lei vigente. Fará sentido que flavienses e adeptos do Rio Ave ou do Porto se desloquem centenas de quilómetros para fazer uma festa num Portugal que não o seu, numa região que não a sua, longe, bem longe dos seus? Não, não faz sentido. Mas tem que ser, ou pelo menos assim parece. Pensemos assim: o estádio do Esperança de Lagos, a Choupana ou o Estádio de S. Miguel, em Ponta Delgada, seriam escolhas bem mais constrangedoras para o palco desta final da Taça. Mas até esta Taça precisa de uma lufada de ar fresco, e esta lufada também passa pela mudança anual do palco da final, marcado, atempadamente e de acordo com as conveniências dos finalistas. Deixemo-nos de assomos de desportivismo bacoco e abandonemos essa estrutura, que é o Campo de Oeiras, sem condições para albergar um jogo do género. Seja entre quem seja, mesmo um Benfica-Sporting.
A opinião é minha, não sei se a partilhais. Mas que a polémica vai reacender-se, isso é certo. Então se for o Porto a defrontar o Chaves... E com toda a lógica. Ou só os brados dos desgraçados é que são legítimos, por serem fruto da imperfeição da sociedade?...

PS - e o Estádio AXA, em Braga, aqui tão perto!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jornada 26: O Dérbi

Esta jornada está marcada pelo dérbi Lisboeta que irá ocorrer amanhã. É o jogo grande da jornada e onde todos os olhos estão postos. No entanto, já lá vamos; primeiro, vamos analisar o que se passou.

Os outros dois jogos mais importantes, envolveram a U. Leiria - Braga e o Rio Ave - Porto. Para alimentarem o sonho do título e da Champions, respectivamente, ambos tinham de vencer os seus compromissos. E ambos o fizeram...sem lugar a grandes brilhantismos.

Apanhado a perder por 1-0, fora de casa, o Braga demonstrou porque é que está em 2º lugar, na perseguição pelo título inédito. Com a sua solidez, deu a volta ao resultado ainda antes do intervalo. Na 2ª parte, só teve de esperar pelo apito final do árbitro. A U. Leiria, a realizar uma excelente prova, não conseguiu levar de vencida a equipa bracarense. No entanto, continua a sua luta pela Europa.

Em Vila do Conde, os espectadores tiveram a oportunidade de assistir a um jogo fraquinho. Desde já, os meus parabéns a todos aqueles que conseguiram trocar o jogo do ano, Real Madrid - Barcelona, para ver o Porto. Eu, portista, não consegui. Isto porque a equipa de Jesualdo entristece qualquer um e apenas Hulk e Falcão são capazes de fazer os adeptos portistas esboçarem um sorriso. Uma equipa tristonha, sem muitas ideias e com muitas ausências, conseguiu levar de vencida a turma do Rio Ave. Diria que o campeonato do Rio Ave não tem muito mais interesse: suficientemente longe da Europa e da linha de descida.


Nos restantes jogos, muitos resultaram em empate. O Nacional é uma equipa orfã de R. Micael e creio que só para o ano, após reforçar-se, poderá mostrar a consistência que a tem caracterizado nos últimos anos. Frente à Naval, conseguiu um empate e acalentar a ideia remota de voltar à Taça Europa.

A vitória do Leixões permite a equipa de Matosinhos continuar a sonhar com a manutenção mas o empate da Olhanense, em Guimarães, veio mostrar que cada vez é mais díficil continuar a sonhar. A Académica foi empatar a Setúbal e ambas as equipas continuam acima da linha de água mas ainda perigosamente perto.

Amanhã é dia de dérbi em Lisboa. Sporting e Benfica enfrentam-se na Luz e muito da época do Benfica se joga amanhã. Equipas em estados anímicos diferentes, existe grande curiosidade de saber se o campeonato fica "arrumado" amanhã ou se vai estar ao rubro até ao fim.

O Sporting, após uma época a todos os níveis desastrosa, vem para o embate com os encarnados numa onda de vitórias, tendo goleado o Rio Ave em casa. Alguns jogadores estão em grande forma, tal como é o caso de Djaló. Apesar disso, apenas o orgulho os leva a entrar em campo visto que o campeonato do Sporting está praticamente feito e, como é público, o treinador encontra-se de saída.

O Benfica vem do maior desaire da época: quando as expectativas eram bastante altas, saiu goleado da Europa, em casa do mítico Liverpool. Isto não é nada que envergonhe a história do Benfica e diga-se que fez uma boa época na Europa. O problema é que os adeptos estavam a contar com mais. O Benfica deste ano é uma equipa que motiva e puxa pelos adeptos encarnados; adormecidos há muito, estes acordaram e estavam com expectativas elevadas para o embate. Infelizmente, demasiado elevadas. A moral está em baixo mesmo Jesus tentando desvalorizar a derrota. Com a moral, estão os índices físicos da equipa, estando muitos jogadores numa fase de sub-rendimento.

Amanhã joga-se na Luz a última cartada do Sporting. Em caso de vitória, limpa perante os seus adeptos parte desta má época e Carvalhar poderá até sair na mó de cima. No entanto, mais do que para o Sporting, este embate é decisivo para o Benfica. A quatro jornadas do fim da estrada, em caso de derrota verá o Braga apenas a três pontos e não se perspectiva fácil a deslocação do Benfica ao Dragão.

Geralmente neste dérbi, ganha quem está em pior forma. Sendo assim, eu vou pelo empate...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Adeus Europa

Toda a esperança encarnada terminou ontem em Anfield Road. Portugal despede-se assim das competições Europeias desta época e o Benfica foca-se apenas no campeonato.

Em Portugal, havia uma grande dose de esperança de que o Benfica poderia eliminar o Liverpool e, quiçá, ganhar a Liga Europa, na sua primeira edição. Infelizmente, se havia jogo em que tudo correu mal, foi o de ontem.

Tal como tenho dito ao longo desta época, admiro muito a forma do Benfica jogar esta época em Portugal, principalmente no seu estádio. No entanto, nas competições Europeias, não me impressionava tanto. Muitos irão apontar-me a goleada imposta aos conterrâneos do Liverpool, o Everton, e a forma magnífica como derrotou o Merselha. No entanto, excepto esses jogos, os restantes foram apagados e apenas "cumpriram".

A este Benfica faltou dimensão e estaleca Europeia, algo que se ganha com os anos e não com um treinador ou jogadores. Apesar de o resultado ser enganador, o Benfica ontem viu premiada cada falha sua com um golo. É esta a realidade das grandes equipas Europeias: quando se falha, elas marcam. Nunca sendo muito inferior ao Liverpool, a verdade é que não conseguiu dominar o jogo nem assumi-lo de uma forma inquestionável. Muitos apontam a ausência de Saviola, o sub-rendimento de Aimar ou as limitações do Luisão, mas aos jogadores do Benfica falta saber o que é jogar nos grandes palcos Europeus com a camisola do Benfica.

No entanto, um jogador conseguiu sair a tempo do barco que se afundava: David Luiz. Notoriamente, é um jogador que deve de estar de saída da Luz. A técnica invulgar num defesa central, a sua adaptabilidade a novas posições e a forma descontraída como joga, leva-me a dizer que é o melhor jogador do Benfica e claramente a precisar de novos horizontes. Para se tornar num jogador de topo, precisa de controlar a sua impetuosidade e ser agressivo de uma forma positiva. Ainda é muito faltoso, nada que não passe com o tempo (o Bruno Alves que o diga).

A imagem do Benfica viu-se ontem reflectida em Di Maria. Alguém conseguiu notar a sua presença em campo? Muito longe do jogo, Di Maria mostrou que ainda é um diamante em bruto. Não questiono que seja realmente um diamante, mas também tenho a certeza que falta muito por lapidar. Ontem o Benfica precisava da sua magia e da sua influência no jogo; no entanto, retraiu-se e foi uma pálida imagem do que tem sido esta época. Para mim, longe de valer os milhões de que se falam, Di Maria precisa de crescer para conseguir assumir o jogo da sua equipa nos jogos em que ela precisa. Precisa de ser aquele jogador que transmite a ideia do "se vocês não conseguem, passem-me a bola que eu vou conseguir".

Uma palavra para Jorge Jesus: talvez tenha feito o pior jogo da época ontem. Teoricamente, não errou ao fazer o XI inicial. Compreensivelmente, jogando fora, resolveu adaptar o David Luiz à esquerda e fazer entrar Sidnei para fazer dupla com Luisão. Ruben Amorim jogou na direita, depreendendo eu que surgiu algum problema de última hora com Maxi Pereira. Saviola foi substituído por Aimar e o resto foi o habitual. No entanto, foi um grande risco por Sidnei de início. Não pela sua qualidade, mas pela sua falta de rodagem. Fez-me lembrar, em ponto menor, a opção de Jesualdo por o Nuno André Coelho no Arsenal, com a mais valia de Jesualdo ainda ter conseguido pô-lo a jogar numa posição que não é a sua. Depois, na 2ª parte, Jesus demorou muito a mexer na equipa. Talvez nesta segunda metade da época, tenha faltado rodar mais um pouco o plantel e, agora, talvez o cansaço não se fizesse notar tanto.

Este jogo deve servir de grande aprendizagem para os jogadores e treinador do que os espera na próxima época. Espero que o Benfica tenha aprendido algumas lições do que é jogar contra as melhores equipas da Europa para na próxima época, em plena Champions, poder dignificar o país e a sua história.

Nunca tendo sido inferior, o Benfica não conseguiu ser superior nesta eliminatória. Muito desta época, na minha opinião, joga-se no próximo jogo contra o Sporting. Num clássico em que tudo pode acontecer, existe grande expectativa para avaliar se os jogadores do Benfica conseguem ultrapassar a desilusão e o cansaço. Em caso de derrota e de vitória do Braga, o campeonato estará mais do que relançado e, uma equipa que entusiasmou tanto, pode terminar a época com apenas uma Taça da Liga somada...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que esperar das meias-finais da Champions

No rescaldo dos quartos de final da Champions, poucas surpresas se verificaram. Sem dúvida que a maior surpresa foi ver o Bayern Munich de regresso aos grandes eventos do futebol Europeu, eliminando o colosso Manchester United. No duelo Francês, levou a melhor a equipa com mais experiência, o Lyon. O Barcelona e o Inter seguiram sem grandres problemas para a próxima fase.

Nas meias finais, teremos a oportunidade de ver um Bayern Munich - Lyon e um Inter - Barcelona. Sem dúvida que os holofotes vão estar apontados para Milão e Barcelona, no entanto, em Munique e em Lyon estão reunidas todas as condições para se assistir a um outro grande jogo.

Em primeiro lugar, vamos falar sobre o jogo menos atractivo. O Bayern Munich apresenta-se em grande forma este ano. Apesar de no início de época Louis Van Gaal estar de malas arrumadas, a verdade é que se manteve, ganhou alguns braços de ferro mantidos dentro do balneário e do clube e conseguiu levar o Bayern ao topo da classificação, na Alemanha, e trazer o épico Bayern Munich de regresso aos grandes jogos Europeus. Apesar de passar despercebido, já eliminou a Fiorentina e o Manchester United, sendo este o finalista vencido da edição passada. Apoiada na magia de Ribery e Robben e na consistência dos seus avançados, o Bayern é uma equipa à imagem do seu treinador e do país que representa: consistente, mecânica e nunca desiste.

No entanto, o Lyon também vem a crescer de forma. Depois de ter atravessado um período menos bom, o clube de Lisandro e Cissoko tem estado em grande forma na Champions, eliminando o colosso Real Madrid, de Cristiano Ronaldo e companhia, e o Bordéus, campeão Francês. É admirável a forma como o Lyon se bateu frente ao Real Madrid, nos dois jogos dos oitavos de final. Em França, obrigou as estrelas do Real Madrid a fazer um jogo paupérrimo e a saborearem o amargo sabor da derrota. Em Madrid, quando se esperava um vendaval de futebol de ataque, aguentou lá atrás, anulando as investidas de Ronaldo e Higuain e, por fim, carimbar a sua passagem à próxima fase. Contra o Bordéus, Lisandro fez a diferença e conseguiu quebrar com o enguiço de o Lyon nunca passar dos quartos de final.

Baseando-nos em factos históricos, sem dúvida que o Bayern parte como favorito e com todas as condições para chegar à final. Apesar disso, a história não entra em campo e cabe a Lisandro e companhia provar que dimensão não é argumento suficiente para chegar à final.

No outro jogo, batem-se as melhores equipas de Itália e Espanha e, discussões à parte, as duas melhores do mundo. Relembrando que Chelsea, Manchester United e Real Madrid estão também no rol das melhores do mundo, pelo que ambas atingiram até agora, o Inter e o Barcelona merecem ser classificadas como as melhores das melhores.

Este não é um duelo alheio a esta época: ambas as equipas já se encontraram na fase de grupos desta época. Sem grandes surpresas, o Barcelona saiu dos embates com saldo positivo, agregando um empate fora e uma vitória caseira. Desde então, a equipa de José Mourinho só tem melhorado e encontra-se cada vez mais fiel ao seu treinador. Munida de outros argumentos, o Inter tem condições para aspirar a final da Champions. Sneijder e Pandev vieram trazer algo que faltava ao Inter, em termos de consistência e criatividade, Eto'o e Milito formam uma dupla terrível de avançados, Balotelli parece ter resolvido de vez dedicar-se ao seu clube, mostrando o seu talento e irreverência, e, na defesa, os veteranos Samuel e Lúcio formam uma dupla de centrais bastante sólida. Com todos estes argumentos, se somarmos o carisma e inteligência de Mourinho, se há clube que pode vencer o Barcelona, é o Inter.

No entanto, em Barcelona mora uma das melhores equipas de sempre, quando se fala em futebol bonito. Ver o Barcelona a jogar é um deleite para os olhos, um futebol positivo e muito bem jogado, que tem como bandeira o melhor jogador do mundo, Messi. Apoiado por estrelas como Xavi, Iniesta, Zlatan ou Henry, este Barcelona continua a praticar o melhor futebol do mundo. No entanto, é uma equipa que se expõe bastante e o cinismo de uma equipa como o Inter, pode ser um veneno "mortal" na eliminatória.

Não tenho dúvidas que o Barcelona é mais forte e o provável finalista mas também sei que é neste panorama de José Mourinho gosta de ir jogar.

Feita a análise, só falta desfrutarmos de quatro grandes embates e ver quem são os finalistas da edição 09/10 da Champions League.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Messi: O novo deus

Todas as semanas poderia escrever um artigo sobre o Messi, mas não o vou fazer. Este é o primeiro e não tenciono voltar a escrever sobre ele num futuro próximo. Porquê? Porque começam a faltar-me palavras para descrever o que ele faz em campo.

Ontem, quartos de final da Liga dos Campeões, Barcelona-Arsenal, um jogo entre duas grandes equipas Europeias. Nervosismo? Sim, é natural...menos para Messi. A equipa a perder em casa, nos momentos iniciais, e teoricamente fora da competição. Nervosismo? Sim, ainda mais...menos para Messi. A tudo isto, Messi respondeu com quatro golos. Gosta de remates de fora de área a dar em golo? Veja o primeiro golo. Gosta de finalizações dentro de área? Veja o 2º golo. Gosta de ver jogadas terminadas em muita classe e de chapéuzinhos ao guarda-redes? Veja o 3º golo. Se preferir dribles, uma dose de sorte e um túnel ao guarda-redes, então veja o 4º golo.

Impressiona a forma como Messi encara cada jogo de futebol como se fosse o último da sua carreira, sem nervosismo mas com muita alegria no seu jogo. Não é um jogador que humilhe propositadamente o seu adversário, não se põe em dribles desnecessários e fintas espampanantes. Para ele, o futebol é simplicidade. Por muito estranho que possa parecer, para ele, o futebol é colectivo.

Infelizmente (ou felizmente), ver Messi driblar três, quatro ou cinco defesas é algo normal e que já nem tem valor. Caso fosse outro jogador qualquer, era uma jogada de encher o olho mas, como é Messi, é normal, é o expectável.

Comparar o C. Ronaldo com o Messi, parece-me sacrilégio. Sou Português mas tenho visão. Sei também ver que são dois tipos de jogadores diferentes, com características diferentes. Verdade é só uma, as características de Messi permite-lhe marcar mais e assistir mais do que as de Ronaldo.

É engraçado que Ronaldo é apontado por muitos como o protótipo perfeito do que é um jogador do séc. XXI: alto, forte, rápido, bom de cabeça, remate muito forte, grande técnica e ainda bonito o suficiente para vender umas revistas e umas calças de ganga. Já Messi parece ter tudo para passar despercebido: franzino, baixo e sem grande resistência física. No entanto, basta vê-los a jogar para apreciar a diferença. Ronaldo é um jogador que foi perdendo a magia da sua juventude: é difícil vê-lo a driblar mais do que um jogador, aquelas fintas de fantasista foram desaparecendo do seu cardápio e tornou-se num jogador "máquina". O que é um jogador máquina? Adianta a bola de 5 em 5 metros, tenta bater os seus adversários em velocidade e força e chuta com violência para a baliza contrária. Messi é muito mais do que isto.

A Ronaldo apontam que ele é melhor de cabeça; Messi responde-lhe com o golo marcado na final da Champions, no ano passado, ou o golo marcado na semana passada. Ronaldo tem um remate mais forte; Messi responde-lhe com o golo de ontem. Ronaldo é mais corpulento; Messi escapa-se pelos seus adversários. Apesar de Ronaldo ter melhores características, Messi é capaz de ser mais eficaz nas mesmas. E além de tudo o que Ronaldo tem, Messi é um jogador criativo, de um drible curto que faz lembrar Maradona e de uma classe de génio. Messi leva mais golos esta época, mais assistências e mais elogios; Ronaldo continua, com Higuain, a levar o Real às costas, mas não conseguiu levar a sua equipa mais longe na Champions.

Há algo que estes dois craques têm em comum: teimam em não manter o nível exibicional nas suas Selecções Nacionais. Maradona é um treinador fraco, com muitas ideias (tendo em ideia 10 jogadores para cada posição, face ao número de jogadores diferentes que convocou até então) mas sem nenhum talento para o banco. A magia que tinha dentro das quatro linhas, perde-se quando passa para o banco. A Argentina é uma equipa sem identidade e que joga diferente do Barcelona. Mas de Messi é esperado mais e é com grande curiosidade que espero pelo Mundial. Se Messi conseguir levar a Argentina às costas, perfila-se o novo deus do futebol de todos os tempos.

Comparando com Ronaldo, se não bastasse ser melhor, ainda consegue ser um craque humilde, que festeja todos os seus golos com uma alegria semelhante a de uma criança e vai festejar todos os golos que a sua equipa marca. Não é um jogador que venda calças de ganga, mas é um jogador que dá títulos. O que é que eu prefiro? Títulos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Como passar ao lado de uma grande carreira?

É caso para dizer, perguntem ao Postiga. A imagem da esquerda resumem as minhas expectativas para a carreira do Postiga: a referência que a Selecção Nacional estava a precisar para a sua frente de ataque e vários golos somados com a camisola das quinas. No entanto, longe vão esses tempos e goradas estão essas expectativas.

Postiga deveria ser castigado pois não pode ser desresponsabilizado por ter desperdiçado tanto talento que lhe foi dado.

Postiga começou a ganhar protagonismo e o estigma de futura estrela no mesmo tempo e espaço que surgia outra estrela no banco: José Mourinho. No ano em que o Porto conquistou a Taça Uefa, o miúdo Postiga exibia-se a grande nível, concretizando oportunidades com um talento e uma classe rara nos relvados Portugueses. Especialmente, qualquer portista se lembra da grande noite que realizou frente à Lázio nas Antas. Aos 20 anos de idade, somou 19 golos numa temporada, 6 deles na Taça Uefa.

O que parecia ser o nascimento de um novo avançado em Portugal, daqueles modernos, que para além de marcar golos também sabe jogar fora da grande área, cedo demonstrou que lhe faltava algo. Foi com grande admiração que, após uma época tão boa e na flor de idade, o Porto o vendesse por 9M € e que José Mourinho deixasse facilmente abrir mão da sua colaboração. A verba era importante e o Porto daquele tempo ainda não conseguia fazer vendas pelos valores que consegue hoje mas, mesmo assim, tão grande talento transferir-se para um Tottenham, não é normal.

Rotulado de estrela, falhou redondamente na sua adaptação a Inglaterra. Apesar de ter feito uma época muito aquém das expectativas, foi convocado para o Euro 2004 e proporcionou aos Portugueses um dos melhores momentos de sempre: o penalti marcado contra Inglaterra. Pura classe, talento estampado na cara, displicência própria dos génios naquele penalti à Panenka. David James ainda deve estar hoje a morder-se por ter sido batido assim, de forma tão superior.

Com este penalti, a carreira de Postiga parecia relançar-se ao voltar ao Porto, através do negócio de Pedro Mendes. De regresso, Postiga não foi opção para os treinadores do Porto, exceptuando José Couceiro (em metade da época) e Jesualdo Ferreira. Depois de uma boa época com Jesualdo Ferreira, foi relegado para o banco ou bancada, até ser novamente emprestado aos gregos do Panathinaikos.

Claramente queimado no Porto, o Sporting viria a afirmar-se como a grande última oportunidade de singrar no futebol Português ao mais alto nível. Sporting fez um investimento importante na compra do seu passe mas ainda hoje discute com Djaló quem é o avançado mais sazonal do Sporting.

Com tantos treinadores que passaram na carreira do Postiga, o que é que lhe falta para nunca ser uma aposta concreta? Ele respondeu esta semana, no jornal do Sporting: «Frente ao rival, é para ganhar. Está em causa a dignificação da camisola do Sporting». A dignificação do clube que representa. Postiga sempre pareceu um jogador pouco concentrado e pouco comprometido com os clubes por onde passou. Parece que apenas joga bem quando lhe apetece e, infelizmente, raramente apetece.

Vislumbro o Postiga a brilhar num clube como o Braga ou o Guimarães no futuro, mas, ao mais alto nível, falta-lhe comprometimento, constância e mentalidade vencedora. Infelizmente para o Sporting, infelizmente para a Selecção.

Ou o miúdo... ou outra velha raposa!


Ontem fez-se alguma luz no meu espírito. Há dias disseram-me (e isso vale o que vale), que o Jorge Costa, de saída do Olhanense, teria já assinado um contrato como adjunto de um treinador estrangeiro para o Porto que aí vem na próxima época. De repente, surge-me no espírito o nome de Laszlo Bölöni. Não faz sentido? Experiente, quer na Europa quer em Portugal, táctico, rigoroso, e muito crente na formação, o que vem ao encontro do Projecto Visão 611, finalmente uma luz ao fundo do túnel na aposta adiadíssima na formação portista. Não nos esqueçamos que foi este senhor que fez do Quaresma jogador de futebol e que o lançou como o maior talento da sua geração, que o é, ainda que a carreira não o mostre desassombradamente.
Todavia, esta informação da SAD sportinguista veio lançar a confusão. Concordo plenamente com a análise do Miguel ao leque de treinadores referido, e creio que, a menos que apareça uma cartada surpresa, e estrangeira, que não o Bölöni (cujo trabalho foi reconhecido, em tempos, por Pinto da Costa), e para além deste, o menino Villas-Boas, o do café do Robson, seu vizinho, deverá, mesmo, ser o treinador portista na próxima temporada. A ver vamos.

André Villas-Boas no F.C.Porto?

Ontem a SAD do Sporting garantiu que André Villas-Boas não será o treinador para 2010/2011. Após toda a "palhaçada" em torno desta relação, será que André Villas-Boas é o próximo treinador do Porto para a próxima época?

Pessoalmente, gostaria de dizer que sim. Em termos mais isentos, estas jogadas são típicas da SAD azul e branca: um alvo é dado como certo num dos rivais e, no dia seguinte, está de azul e branco.

Apesar de não estar numa posição por aí além, a Académica é das equipas que joga melhor futebol e sempre olhos nos olhos dos seus adversários. Se o 12º lugar não impressiona, olhando para o plantel da Académica, talvez ganhe outra dimensão esta posição. A Académica apenas tem Sougou como maior referência. De resto, é um plantel sem grande dimensão e que começou a época da pior forma.

A chegada de Villas-Boas foi uma lufada de ar fresco e trouxe novo ânimo à equipa da Briosa. Villas-Boas é um treinador que confia em todos os jogadores do plantel e não tem medo de lançar novos nomes face à ausência dos "titulares". Em termos de discurso, tem um discurso refrescante, não sendo um tédio assistir às suas conferências de imprensa. Posteriormente, tem um estilo muito semelhante ao do seu mentor, José Mourinho, apesar de isso não significar nada.

Tendo em conta a situação do Porto, creio que precisa de um treinador que traga outra dinâmica ao plantel. Jesualdo representa a velha escola de treinadores Portugueses: o Porto foi capaz de praticar muito bom futebol mas não faz rotação de jogadores e nos jogos grandes, mostra outra cara, geralmente mais defensiva. Villas-Boas pode trazer maior coragem e um discurso diferente dentro do balneário. Sinceramente, creio que com esta opção, talvez ingressasse na equipa técnica Pedro Emanuel, um jogador com um grande peso no balneário para ajudar Villas-Boas a tomar pulso do balneário.

Representaria um grande risco, sem dúvida. Mas geralmente, quando as coisas correm menos bem no Porto, isto é, não é campeão, é feita uma revolução nos ideais passados. Que maior revolução seria possível do que um treinador jovem, com um discurso diferenciador, pragmático e desejoso por vitórias?

Pessoalmente, correria este risco. Paulo Bento é um treinador que pode ser interessante mas que é ligado a um dos rivais (apesar de isso nunca ter sido impedimento) e foi goleado de forma esmagadora na Champions; no entanto, é disciplinador e de pulso forte. Domingos é o treinador sensação desta época, sendo alguém que põe as suas equipas a jogar de forma consistente mas que não transmite carisma. Jorge Costa é um símbolo da casa mas creio que lhe falta mais alguma experiência para voltar à casa que tanto ama.

Será muito cedo para Villas-Boas ingressar num grande? Creio que não...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os dois lados da magia

No futebol, fala-se muitas vezes de magia, mas geralmente, apenas do lado bom da magia.

Vejam bem estes dois exemplos do...

...Lado Bom



...Lado Mau

Jornada 25: Rescaldo

A jornada 25 não trouxe (ainda) nenhuma novidade nem registou nenhuma surpresa. Exceptuando o Benfica, que ainda jogará hoje, quem tinha de ganhar, ganhou e, os jogos que se previam mais nivelados, terminaram empatados. No entanto, está longe de ser uma jornada sem casos.

O principal jogo da jornada, e o mais quente, foi o derby do Minho. Vitória de Guimarães deslocou-se ao estádio dos seus rivais, Sp. Braga, com o intuito de trazer os três pontos para poderem continuar na luta do 4º lugar. Quem olhar ao resultado deve imaginar que foi um grande jogo, bem disputado e com muitos golos. Mas não: foi um jogo medíocre, onde quem desiquilibrou foi o árbitro e o Renteria, principalmente dentro da grande área do Guimarães. Um jogo com quatro penaltis, quatro (não sei se hei-de incluir o Rodriguez ou não nas expulsões porque ele foi expulso mas preferiu aguardar pelo fim do jogo para acatar a ordem de expulsão) expulsões tem tudo para ser um jogo polémico.

O último penalti foi completamente ridículo. Se este fosse o critério sempre adoptado pelos árbitros, estariamos recheados de penaltis durante os jogos. Mas o leitor veja com os seus próprios olhos:





Com isto, o Braga mantém-se na luta pelo título e o Porto vê cada vez mais de longe a possibilidade de ir à Champions. Após ver o jogo de Braga, tenho que confessar que estou curioso para ver as arbitragens dos jogos do Braga até ao final do campeonato, enquanto o Benfica mantiver a distância...

Teorias da conspiração à parte, em Alvalade, um jogador demonstrava a sua boa forma: Yannick Djaló fez um hattrick (com um último golo de belo efeito). O Sporting, com o quarto lugar em perigo, deu uma demonstração cabal da sua boa forma e de que tem condições para vencer a luta do 4º lugar.

No Dragão, tivemos a oportunidade de assistir a um dos golos mais rápidos do campeonato: numa questão de segundos, já o Marítimo vencia. No entanto, pouca gente apostaria que passado poucos minutos já o Porto tivesse à frente do marcador, através de um excelente golo de Falcão e um cabeceamento vitorioso de Raul Meireles. Até ao fim, foi um jogo bastante aberto, onde o Marítimo poderia ter aproveitado mais as oportunidades que criou e onde o Porto foi bastante eficiente, evidenciando-se um Hulk em grande forma (mais uma assistência e um golo).




De salientar que com os dois golos marcados neste jogo, Falcão ultrapassa Cardozo na lista dos melhores marcadores. Diga-se de passagem que é mais do que merecida esta ultrapassagem pois Falcão tem marcado algumas vezes golos que são invalidados injustamente.

De resto, um empate bastante importante do Belenenses na capital do móvel, frente ao Paços de Ferreira. A Olhanense parece ter voltado a encontrar o caminho para o golo, com um empate caseiro, a dois golos, frente aos sadinos e, a Académica a segurar a União de Leiria em casa, num empate sem golos.

Ainda hoje realiza-se a Naval contra o Benfica. O Benfica é o grande favorito de jogo mas conta com algumas baixas importantes, caso de Saviola. A grande curiosidade do jogo é verificar a frescura física dos encarnados e a gestão de plantel que Jesus irá fazer, tendo em conta que esta 5ª feira tem um dos jogos mais importantes da época, contra o Liverpool, em Anfield Road, onde poderá carimbar a passagem para a próxima ronda da Taça Europa.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Talento - Adel Taarabt

Adel Taarabt, jogador de 20 anos, emprestado ao Queens Park Rangers pelo Tottenham, é um dos atacantes mais talentosos  do futebol Marroquino.

Este é um jogador cheio de truques na manga e é deliciosa a qualidade e quantidade de "túneis" que ele faz aos seus adversários. Aos 20 anos, e com aquela potência física, é um nome a reter para o futuro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Benfica - Liverpool: Antevisão

Esta noite defrontam-se dois colossos do futebol Europeu no Estádio da Luz. Duas equipas, em estados anímicos bem diferentes, prometem devolver ao Estádio da Luz as suas velhas noites Europeias.

O Benfica está a realizar uma época de sonho como já não se via há alguns anos. Apesar de ser um campeonato marcado por alguns casos caricatos, o Benfica é a equipa que melhor joga em Portugal, em termos de futebol de ataque. É admirável a quantidade de jogadores que coloca na frente em cada jogada. Dotada de uma frente de ataque com grande imaginação e veia goleadora, apoiada por um meio campo sólido e trabalhador e uma dupla de centrais a realizar uma época invejável, o Benfica parte na (quase) máxima força para o embate de hoje. Para tudo ser perfeito, era o Saviola poder jogar.

O Benfica teve o condão de ressuscitar alguns jogadores que pareciam mortos para o futebol e, grande parte desse mérito vai para Jorge Jesus. Não sendo dotado de grande classe e requinte, é um treinador que está há muitos anos no futebol e fala o que lhe vai na alma. Notando que a melhor defesa é o ataque, a mentalidade atacante da equipa é invejável. Mesmo em momentos menos bons do Benfica, o facto de atacar em quantidade quando a qualidade rareava, valeu-lhe alguns preciosos pontos no campeonato. Um exemplo perfeito desta mentalidade, é o Benfica utilizar como defesa esquerdo, geralmente, um extremo esquerdo (Fábio Coentrão). Se isto não basta, é ver a quantidade de ataques que o defesa central da equipa, David Luiz, faz por jogo. Impressionante!

Já o Liverpool vem a realizar uma época à Liverpool. Aliás, minto: faltou aquela euforia gerada à volta da equipa no início da época, tão tradicional no Liverpool. Desde início, este Liverpool tem estado bem aquém do seu historial. Inegavelmente afectada pela ausência da estrela da companhia, Fernando Torres, e uma época menos boa do seu capitão, Steven Gerrard, é notória a falta de talento na frente de ataque do Liverpool. Após a saída do maestro da equipa, Xabi Alonso, Aquilani teima em provar que poderá ser o herdeiro de Xabi naquela posição. Nunca Benitez foi tão contestado como nesta época.

Em suma, esta noite encontram-se dois grandes em estados de espíritos opostos. Enquanto um começa a festejar o mais que provável campeonato, o outro ainda luta pelo sonho da Champions. No entanto, apesar de o futebol, se fosse lógico, apontar para as vantagens que o Benfica tem neste momento, nunca esquecer o peso do nome Liverpool e do seu futebol pragmático. Já muitas equipas de futebol atraente tombaram em frente de adversários defensivos e a atravessar maus momentos.

Apesar de ser Português, também sou portista. Não consigo torcer pelo Benfica, mas também não torço pela sua derrota.

Prognóstico: 1 - 1

Lisandro Lopez: O guerreiro

Os responsáveis do Lyon devem estar há muitos meses a esfregar as mãos com o negócio que fizeram no Verão passado. Quando um clube, da dimensão do Lyon, vende a sua grande estrela (Karim Benzema), é esperado que demore algum tempo a recuperar do impacto da sua saída. No entanto, Lisandro Lopez veio contrariar esta ideia. Para mim, Lyon até ganhou mais...

Benzema é considerado uma potencial estrela do futebol Europeu. Tem tudo para singrar na alta roda do futebol. Tem um poder físico impressionante, boa habilidade técnica, alguma versatilidade na frente, tudo o que um bom ponta de lança precisa. No entanto, ainda não concretizou o seu potencial. Karim Benzema não é daqueles pontas de lança goleadores e, no Lyon, precisava de 3 jogos para marcar um golo. Isto numa época em que o Lyon era dono e senhor do futebol Francês.

Lisandro Lopez era um desconhecido do futebol Europeu. Mas só para os mais desatentos e que apenas vêm os jogos dos grandes Europeus. Ainda no ano passado, foi um dos melhores marcadores da Champions League. Caracterizado pelo seu espírito guerreiro, por ser o primeiro defesa da sua equipa, notava-se que Lisandro começava a ser um activo demasiado interessante para permanecer em Portugal.

Infelizmente, os grandes do futebol Europeu preferem jovens talentos, com "nome" e grandes vídeos do Youtube do que a jogadores com currículo vencedor e uma atitude guerreira. Custava-me a crer que uma equipa de top fosse pagar ao F.C.Porto 24M € por um jogador sem o impacto de um Carlitos Tevez ou Sérgio Aguero. Apesar disso, o Lyon, não sendo um clube de top, teve o atrevimento de pagar esta quantia. Acho que ganharia caso agora apostasse que muitos adeptos do Lyon o acham barato.

O impacto de Lisandro no Lyon é inegável. Apesar de a equipa não mostrar a mesma forma vencedora do passado (talvez devido à mais valia dos adversários), o Lyon deve muito do que tem sido a sua época ao Lisandro Lopez. A precisar de menos de 2 jogos para marcar um golo, ainda nesta jornada da Champions, ele justificou a verba paga por ele.

Em comparação com Benzema, que tem sido uma desilusão na constelação do Real Madrid, Lisandro faz mais golos e luta mais. Contagia os seus colegas com a sua atitude guerreira e nunca desiste da bola. Sempre admirei o Lisandro por nunca olhar a nomes. No F.C.Porto, para ele, era igual ter pela frente o Miguelito ou o Evra. É indiferente. A atitude era a mesma. Não sendo um goleador nato, é um avançado útil a qualquer onze do mundo.

Além de todas as características técnicas e tácticas, é um jogador que, jogando no F.C.Porto, ganha mentalidade vencedora. Muitas vezes esta é uma característica desprezada. No entanto, é preferível ter alguém com um nome menos soante mas que está habituado a ganhar, em que ganhar é natural, em que ser campeão é norma e lutar por vencer todos os jogos é uma obrigação. Além desta mentalidade, teve oportunidade de jogar todos os anos na Champions League e ganhar ainda mais dimensão. Ou seja, ao sair do F.C.Porto, é um investimento com muito baixo risco.

Fazendo um pouco de futurologia, acho que o Lyon representa um passo ao lado na carreira do Lisandro Lopez. Talvez fosse necessário ir para uma Liga de maior renome para poder ingressar num clube de topo Europeu, que lute constantemente pela Champions League e o campeonato. Imaginem uma frente de ataque composta pelo Wayne Rooney e o Lisandro Lopez...dá dó em pensar no trabalho que os defesas iriam ter pela frente.

Para mim, este Verão vai ser a altura de dar o passo em frente...