A ala direita deve ser a que vai conhecer mais transformações. Dos 4 homens com contrato, Miguel Lopes deve ser o único a permanecer. Contratado no início da temporada passada ao Rio Ave, assumiu um protagonismo maior do que o esperado. Acabou por jogar em 19 jogos, arrancando em 14 desses como titular, coleccionando 4 amarelos. Isto deveu-se à má época do Fucile, aos problemas em que esteve envolvido o Sapunaru e, diga-se, ao valor demonstrado pelo jovem lateral português. Acabou por se assumir entre as dificuldades que aquele sector viveu e fê-lo com alguma notoriedade. Falta-lhe ainda experiência e outra consistência, especialmente no balanceamento atacante e correspondente compensação defensiva, bem como nos cruzamentos efectuados, mas pode ser um fixo nos próximos anos, caso evolua em conformidade. E pode, também, estar encontrada mais uma boa opção para o lado direito da defesa da Selecção Nacional.Depois sobram Fucile e Sapunaru. O caso de ambos acaba por ser similar na medida em que pouco evoluíram desde que chegaram ao Dragão e ambos deverão estar de saída. O uruguaio completou a 4a época no Dragão, onde chegou com 21 anos. Foi ganhando preponderância dentro e fora de campo, mas a sua evolução há muito que estagnou, na medida em que as mesmas virtudes e os mesmos defeitos continuam a ser-lhe apontados há muito. Infelizmente, sobra-lhe a displicência e esta época acabou por estar muito ligado a exibições confrangedoras, como a da Luz contra um inusitado Urreta e a de Londres, no Emirates, com o Arsenal, onde esteve directamente ligado a 4 dos 5 golos dos Gunners. Creio ser hora de dar por terminada esta ligação, a bem das duas partes. AVBoas terá dito que gostava de contar com ele. Fucile até está a fazer um Mundial em bom plano, sendo elogiado por um seleccionador que raramente recorre ao elogio individual para com os seus pupilos. Mas não creio ser benéfico mantê-lo, até porque podem render bom dinheiro e forjar uma nova dupla de laterais-direitos, renovada e reforçada.
O romeno Sapunaru é um caso parecido. Jogou muito pouco, nada evoluiu e sobrou a indisciplina, ao serviço do clube, na Luz, da Selecção e do Rapid Bucareste, dentro e fora de campo. O Porto não avançou para a compra da outra metade do passe e seria benéfico que se livrasse da parcela que detém. Há interessados, poupe-se em ordenados e contratempos.
Finalmente, na direita existe ainda um menino chamado Ivo Pinto. Considerado um dos maiores talentos da formação portista dos últimos anos, jogou, ainda júnior, pela equipa portista na Taça da Liga, em Alvalade, pela mão de Jesualdo, e foi emprestado na época transacta. Foi, contudo, vítima da errada e errante política de empréstimos da sad: começou no Gil Vicente e ainda antes do fim de Agosto rumou a Setúbal, nos últimos dias do tão desesperado como breve consulado de Carlos Azenha (conhecedor profundo das suas potencialidades). Ora, isto coarctou-lhe a época, na medida em que em termos regulamentares, não podia abandonar o Vitória para outra emblema da UEFA durante a época, evitando, assim, penalizações para a sua carreira e para o clube infractor que o inscrevesse pela 3a vez na mesma época. Conclusão: para um miúdo que precisa de jogar, para explodir e confirmar credenciais ou mostrar que não vale a pena o seu regresso... 147 minutos de competição, em 6 jogos, 1 deles a titular! Muito pouco e bastante reprovável. Parece que vai para a Covilhã; que jogue por lá, pelas mãos de uma lenda... do lado direito da defesa portista, João Pinto, e que o futebol português ainda vá a tempo de o aproveitar.
Assim, falta, a meu ver, um lateral-direito para o plantel. Num exercício rápido, sem efectuar grandes pesquisas, sugiro 3 nomes: Paulo Ferreira, experiente e conhecedor da casa e do campeonato, que chegaria e assentaria como uma luva; Mattioni, brasileiro do Maiorca, que jogou muito bem este ano, depois de uma passagem discreta pelo Milan; e o Garics, austríaco da Atalanta, de 26 anos, capitão da sua selecção há muitos anos, muito experiente numa liga como a italiana, jogador muito consistente e de equipa que se revelou como um dos melhores laterais do Calcio nos últimos anos. Mas isto são bitaites, apenas.
Na esquerda a questão está, a meu ver, mais facilitada. Álvaro Pereira e Addy têm todas as condições de ocupar os lugares que já trazem da época transacta. O primeiro foi o mais utilizado na época passada, com mais de 4000 minutos, em 45 jogos, onde marcou 1 golo e teve 13 cartões amarelos. Evoluiu consideravelmente ao longo da época, evidenciando-se pela capacidade física e subidas à linha, criando desequilíbrios. Tem jogado sempre no Mundial, com a sua selecção e é um dos valores seguros para a próxima temporada. O Addy só não foi ao Mundial, com o Gana, porque pouco jogou no Porto. Nele são depositadas grandes esperanças e creio que se deve manter no plantel.Finalmente, espaço ainda para Benítez. Foi um erro de casting (de comissões duvido), está no San Lorenzo argentino e esperamos que accionem a opção de compra.






