 |
| Super Hulk |
Já há algum tempo que não tenho oportunidade de escrever aqui no blog. No entanto, não podia deixar de aproveitar a oportunidade de deixar bem marcada a goleada histórica que ocorreu ontem, em pleno Estádio do Dragão.
Aviso já a todos os leitores, e sei que a maioria são portistas, que este artigo é claramente escrito com o meu teclado azul e branco e sem qualquer tentativa de manter a cabeça fria a escrever. É o que vai na alma de um Portista que ontem teve mais uma noite memorável no Dragão.
Poderia mentir e dizer que nem nos meus melhores sonhos imaginava o Porto a golear o Benfica. No entanto, é que nos meus melhores sonhos, estava este resultado. Há testemunhas, como o meu caro colega de blog Francisco e o meu caro amigo Zé Augusto. Ainda antes de começar lhe dizia que queria o bolo (a vitória) com cereja (a goleada). Eu dizia a alguns amigos que "se o Porto marca no ínicio, pode fazer história"! E fez! E que história!
Felizmente, ontem foi sem espinhas. Sem polémicas, sem apitos dourados, basicamente, sem desculpas. Tinham o Cardozo lesionado, nós tinhamos Fernando. Fora isso, as duas equipas estavam na máxima força. Não houve grandes incidentes antes do jogo. Tudo preparado para o jogo do ano.
Jesus amedrontou-se e, diga-se, com razão. Preocupado com a ameaça Hulk, resolveu pôr o talismã David Luiz para o parar. No pequeno cérebro benfiquista, o David Luiz é o super-homem que pára qualquer um (dois, três...), então é lançá-lo daquele lado e todos os problemas estariam resolvidos. Certo? Errado! No primeiro golo, Hulk cilindrou-o com a sua velocidade e mostrou a David Luiz que esta noite seria um pesadelo para ele. Após três golos pelo lado esquerdo, ao intervalo, o Cavalo Branco, no BI, Jorge Jesus, resolve meter o amuleto Coentrão no lado esquerdo. O super-mega-Coentrão, até então secado pelo Sapunaru, voltou ao seu lugar no intervalo. Se melhorou? Sim, só sofreram dois golos pelo lado esquerdo.
Para mim, o facto dos golos serem todos pelo lado esquerdo, em que jogaram dois dos maiores talismãs vermelhos, foi a grande concretização da nossa superioridade. Não aproveitamos as fraquezas adversárias para fazer golos. Não, fomos por onde eles eram mais fortes. Fomos cinco vezes por onde eles eram mais fortes.
A noite também serviu para desmistificar muita coisa. Antes demais, espero que retirem o apelido ridículo de mestre da táctica ao Jesus. Por favor, o homem nos grandes jogos parece o Titanic: só afunda. Depois, espero que os monólogos dele sejam mais humildes e mais realistas. Páre de atirar areia aos olhos da mouraria. Eles são burros, mas não são parvos!
Onde estão o Rui Costa e o Filipe Vieira hoje? Fica a pergunta. De certeza que tão cedo não falarão. Aliás, posto que o Vieira só voltará a falar quando sentir que o Benfica foi prejudicado e voltará tentar fazer os mouros acreditar que este ano o Benfica está onde está devido à corrupção.
Agora, tenho que enaltecer-me. Peço desculpa, mas tem de ser. Lembro-me de em Janeiro dizer: quero o Villas-Boas para o ano. Muitos diziam que era novo, outros preferiam o Domingos. No entanto, todos agora admitem que ele é melhor do que a encomenda. Fantástico! Tentaram estragar a sua imagem no seu primeiro deslize. Apesar da honestidade em reconhecer o erro, quiseram fazer dele o Barrabás, o ladrão. Ele resolveu responder dentro de campo. Jogo após jogo. Vitória atrás de vitória. Reeditou a história bíblica, libertando-se e levando à crucificação do Jesus.
Este Porto é melhor que o de Mourinho. Não me canso de o dizer. A qualidade de futebol é a mesma mas parece-me que a mão-de-obra é melhor. É mais e melhor. O Porto ganha de forma contundente qualquer adversário. Domina, pressiona, sufoca. Não é um sufoco como o do Benfica no ano passado, isto é, um sufoco à maluco, com muitos jogadores no ataque mas pouca capacidade táctica. É um sufoco táctico, onde cada jogador sabe-se posicionar, cada um sabe o que fazer e quando fazer. Villas-Boas roda o plantel e a qualidade mantém-se. Aos 32 anos, poderá ser o melhor treinador de sempre do clube. Melhor que o Mourinho? Não sei, mas tem algo que o Mourinho não tinha: amor pelo clube! Nota-se no seu discurso que é um apaixonado pelo Porto. A forma como vive cada jogo como se fosse o último. O brilho no olhar em cada golo do Porto a fazer lembrar uma criança em plena noite de Natal. Tudo isto faz a diferença!
Depois, a equipa. Que trio de ataque! Que demolição! Três goleadores e enormes jogadores juntos, a fazerem estragos de jogo para jogo. Varela é simplesmente magnífico. No seu estilo relaxado, dribla os adversários com um à vontade que só um pre-destinado tem. Falcão, goleador, faz jus ao seu nome de ave de rapina, sendo mortífero. Hulk, o íncrivel. Este ano, Hulk desabrochou e está intratável. Marca como nunca marcou, finta como nunca fintou, assiste como nunca assistiu. Grande mérito de Jesualdo naquilo que é individualmente. Mas grande mérito de Villas-Boas que encontrou uma dinâmica que potencia as individualidades dos jogadores. E Hulk, é sem dúvida, o mais beneficiado. Por este andar, cheira a record de transferências em Portugal...
Para todos os benfiquistas, continuem a distrair-se e a formarem-se em direito, pois são todos juizes, todos justos. Distraiam-se com o apito dourado e continuem a deixar-nos os títulos. Nós agradecemos. Para todos eles, um bom natal.