quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Somos os melhores!!

Face ao meu comentário ao que o Xiko publicou, resolvi tirar o pó ao teclado e aos meus posts aqui no blog para dizer algo muito simples e universal: somos (nós, F.C. Porto) os melhores!!!

Estou cansado dos responsáveis do clube do milhafre da Mourolândia, ou vulgo Marrocos, virem a público transmitirem a ideia de que o Porto está onde está graças às arbitragens. Amigos (salvo seja), querem tirar areia aos olhos de quem? Somos todos parvos, é isso?

A estratégia que está a ser utilizada é simples e muito velhinha: mentir, mentir, mentir até virar verdade. E isto é o que eles têm feito, numa base semanal. Não há um monólogo do profeta e mestre da táctica em que ele não refira que o Benfica está onde está graças as arbitragens! Chega! Está na altura de o mandar calar e começar a ser honesto.

Dar-lhe-ia algum crédito se ele falasse sempre. Por exemplo, o Vitor Pereira, concorde-se ou não, ao menos tem cumprido o que prometeu e vem falar do bom e do menos bom e dá a sua opinião. O profeta e respectivos capangas só falam quando há motivo de falatório para os lados do Porto. Quando há caso, como ainda este fim-de-semana, estão caladinhos que nem ratos! O vendedor de pneus, o novo solteirão, o profeta e o papagaio ficam todos com o bico preso.

Se o Porto foi beneficiado? Com certeza. E o Sporting? Também. E o Benfica? Claro que foi. E para mim tem sido em doses semelhantes. Focarmos nestes problemas que irão sempre existir (e ainda bem), é perder o foco do que realmente importa.

Falando de futebol, alguém consegue desmentir a diferença de 5 golos marcados entre o Porto e o Benfica no campeonato? Alguém consegue desmentir os menos 9 golos sofridos? Alguém consegue desmentir a nossa invencibilidade? Alguém consegue desmentir a boa campanha na Uefa e a péssima campanha na Champions? Alguém consegue desmentir a goleada categórica no Dragão? Senhor Jesus, isto é o que interessa e queres que as pessoas se esqueçam. Faz lavagem cerebral na Mourolândia, mas em Portugal é necessário não nos esquecermos destes factos, repito, factos categóricos. Sem discussão.
Hoje há futebol em Portugal. Porto e Nacional e Rio Ave e Benfica defrontam-se.
1. O Rio Ave recebe o Benfica, em Vila do Conde, para os quartos-de-final da Taça de Portugal. E fá-lo dizimado após mais uma indelével actuação de Bruno Paixão no seu último jogo, no caso para o campeonato, contra o Vitória de Guimarães. Que beneficiou, claramente, com as expulsões do Éder, do Saulo, do Vítor Gomes e do próprio treinador Carlos Brito. O Vitória e o adversário seguinte, que é o Benfica. A exemplo do que já tinha acontecido anteriormente na eliminatória que levou o Sporting de Braga até à Luz, após a faena de Leiria, onde perdeu por expulsão Miguel Garcia, Matheus e Mossoró. Eliminatórias, diga-se, entremeadas por aquele doce encontro com o Olhanense, na Luz, a quem o Benfica comprou na manhã do jogo, um jogador que estava convocado e que, por acaso (!), era um dos melhores do plantel. Pôr em causa desideratos de um sorteio que leva consecutivamente equipas de escalões inferiores ao Dragão e (sobre)viver desta forma é fácil. Pimenta no rabo dos outros para mim é refresco, diz a populaça, cheia da sua sabedoria!
2. Benfica que vai a Vila do Conde após mais uma vitória para o campeonato, mais uma folgada também, assim como justa. O pior foi o apito final do árbitro: cegou-o, qual Saulo no caminho para Damasco, bem como aos delegados ao jogo e às forças da autoridade. Só assim se compreende o silêncio ou a omissão dos respectivos relatórios das agressões entre Jorge Jesus e Luiz Alberto. Não vou ressuscitar a enredada teia que envolve aquele túnel, nem o que já lá se passou, contado e por contar, mas que estou curioso para ver a reacção das instâncias disciplinares do nosso futebol, isso estou. Sobretudo as mesmas que castigaram Hulk e Sapunaru após as irresponsáveis e irreflectidas agressões de ambos a assistentes de recinto desportivo, vulgo stewards, após provocação dos mesmos, de forças da autoridade, de elementos ligados ao Benfica, que já antes tinham subido a uma cadeira para renovar o ângulo de visão de uma câmara de vigilância. Um ano mais tarde, o treinador da casa agride, à saída do mesmo túnel, aos olhos do Mundo, portanto, um jogador da equipa adversária, que retribuiu a agressão. Veremos, pois então, a falta que Ricardo Costa faz ou não a certos sectores do nosso futebol e a justeza das suas sanções no ano passado.
3. O Porto recebe o Nacional, num adianto à 20ª jornada do campeonato, quando todos estão alinhados para o tiro de partida que marcará o início da 18ª. Ainda que a lei o permita e que o interesse do Porto e do nosso futebol seja promover uma mais preparada participação numa competição europeia, a competição é adulterada. Não é caso virgem e está legitimado, legalmente e pelo bom-senso. Mas não creio justo nem favorável ao futebol que todos queremos. Lamento, por isso.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Sporting é um clube diferente. Ainda bem.

O Sporting perdeu ontem com o Paços de Ferreira, em Alvalade, por 2-3 e isso é grave. Grave porque as ambições dos clubes são necessariamente diferentes e porque a disposição de ambos, em campo e fora dele, também tem que ser outra. Dado o avolumar de situações e resultados menos conseguidos, aliados ao escasso carisma de Paulo Sérgio à frente da equipa, sem a notoriedade no seio do grupo que a função lhe impõe e determina, avizinhava-se, ontem, a sua saída. Segundo os cânones do futebol pátrio, seria algo normal, porque expectável e até natural. Mas não, saiu o Presidente. Assim, após uma derrota complicada, ganharam todos, o Sporting, José Eduardo Bettencourt e o futebol nacional. E nisto o Sporting é um clube diferente. Ainda bem.
Nos momentos áureos do meu Porto, em meados da década passada, após um jogo turbulento em Alvalade, José Mourinho, então treinador portista, teve um comportamento irresponsável (e premonitório de tantos que já lhe vimos entretanto?), rasgando uma camisola sportinguista no túnel dos balneários. O assunto fez correr muita tinta, deu pano para mangas, mas tudo se resolveu à portuguesa. Se somos bons, muito bons e até muito melhores que muitos outros povos europeus em várias coisas, se não muitas - basta ir ao estrangeiro para o notar, ainda que em breves incursões, na gestão do nosso futebol ainda temos muito que melhorar. Também num avolumar de situações, José Eduardo Bettencourt saiu da estrutura directiva do Sporting, agastado com a falta de lisura e de maneiras do nosso devir futebolístico, indignado com o andamento desse processo. Se já lhe reconhecia brio e honra no trato e nas suas intervenções, admirei-o pela atitude, que lhe aliviou a consciência, a mente e o corpo, e em nada afectou o sistema do futebol, imune, nos seus alicerces lamacentos, a actos de valentia e de dignidade.
Uns anos mais tarde, surgiu como candidato a presidente do Sporting, após a saída de Filipe Soares Franco e levou de vencida a contenda eleitoral, arrebatando a cadeira do poder no mais ecléctico dos clubes nacionais. Em ano e meio, porém, sobraram-lhe as polémicas e as decisões controversas. O risível século XXI logo lhe apontou o estilo foleiro com que saltava o adepto-presidente, com que dançava o adepto-presidente, com que tocava maracas o adepto-presidente, com que dava azo às metáforas e enigmas o adepto-presidente. Paralelamente, do tesouro sportinguista esvaíram-se os direitos fundiários sobre a Academia e o Estádio, como hoje frisou o candidato vencido nas últimas eleições Paulo Pereira Cristóvão. Desportivamente, não conseguiu nenhum título e as opções para os lugares de treinador e de director-desportivo coarctaram-lhe o espaço vital: manter Paulo Bento foi um erro, assim como foi nomear Sá Pinto para director de futebol, facto que impediu Carlos Carvalhal de permanecer à frente da equipa para esta época, numa opção teoricamente mais sensata e acertada que ir buscar Paulo Sérgio, autor de um bom trabalho no Paços mas questionável no Vitória de Guimarães. Sobrou Costinha, escolhido a meias com Jorge Mendes, como se diz, elemento que trouxe estabilidade e paz ao balneário, que, como se notou, trouxe algumas normas no vestir dos jogadores, facto acessório quando comparado com a contratação de jogadores como o Alberto Zapater, o Diogo Salomão e o Jaime Valdés, jogador de enorme valia para o nível do nosso campeonato. O balanço é, pois, confuso de fazer, por ser cheio de factos e notícias, uns mais determinantes, outros mais secundários e sobrevalorizados. Todavia, ainda que o presidente tenha errado, ou se tenha precipitado, por vezes em prejuízo do Sporting, de que o exemplo máximo foi o processo de venda do João Moutinho ao Porto, pugnou pelo melhor do clube, conseguiu-o em determinados aspectos, mas obteve mais insucessos que sucessos. E desgaste, muito desgaste, facto que levou à tomada de decisão de ontem. Quem o vai conhecendo considera normal, pena é que não seja norma no nosso futebol. Infelizmente, e salvo raras excepções de clubes que são presididos por gente honesta e honrada, que prima por cumprir os compromissos, não construir dívidas nem equipas de jogadores, mormente estrangeiros, que nada acrescentam ao nosso futebol, não é atitude-tipo no nosso futebol. Vejam-se os históricos rivais: no Porto, Pinto da Costa, envolvido em casos de corrupção desportiva, com condenação incluída, nem por isso saiu; no Benfica, Luís Filipe Vieira, envolvido em casos de corrupção desportiva e de negócios ilícitos, na Bolsa, em Angola, Espanha e com bancos nacionais, também não seguiu ou segue essa via. Imperam a má-criação e os maus exemplos, a desonestidade e a desconfiança, o desgoverno e a falta de honra. Honra que a teve José Eduardo Bettencourt, seguindo, desde ontem à noite, o caminho mais ousado, inesperado e difícil. A terminar, há quem questione o momento da decisão. Não há momentos para pôr de parte a honra e o interesse supremo da instituição, até porque o momento da equipa já não lhe permite chegar ao título, nem ousar mais que uma qualificação para a próxima edição da Liga Europa. E não são Taças da Liga que salvam a época. Deste modo, o timing até pode ter, mesmo, sido o melhor, demonstrando carácter e brio, e abrindo caminho a uma revolução (mais uma no seio sportinguista) pacífica, que com tempo e critério, permita dotar a estrutura do futebol, fortalecida por José Eduardo Bettencourt com a inclusão de José Couceiro, de maior competitividade e mais capacidade no ataque a uma nova época que se avizinha lá mais para o Verão. Metade desta já lá vai e novos e difíceis tempos se adivinham. Urge um Sporting melhor e mais capaz. A bem do Sporting e de tudo o que pode dar e dá ao nosso futebol.

PS - mais uma vez o Pizzi fez a diferença ontem.
Não vi o jogo todo, à excepção dos últimos 15/20 minutos, mas bastou para confirmar a qualidade deste jogador, que muito pode vir a dar ao nosso futebol. Não entendo o Sporting de Braga, inundado de brasileiros de valor questionável e que empresta valores como o Pizzi, desaproveitando-o. Pelo menos para já.