
A três jornadas do fim, os três primeiros lugares estão entregues, há muito mais que três jornadas! Continua tudo à espera que o Braga caia, que o Benfica escorregue, que o Porto consiga milagres, e nada disso se verifica, pois em futebol não ocorrem milagres.
Sem escalpelizar muito, pois fá-lo-ei daqui a uns tempos, o Porto é terceiro com justiça. Pois foi melhor que os outros 13 abaixo e pior que o duo da frente. Sem fazer um grande exercício de memória, lembrem-se os 3 empates comprometedores com Belenenses e Paços, em casa, e Leixões fora, bem como as 3 confrangedoras derrotas em Braga, na Luz e em Alvalade, onde pior que o número de golos sofridos e a nulidade dos marcados (!), foram as exibições, impotentes, miseráveis, horríveis! E após boas exibições europeias (a derrota honrosa em Londres com o Chelsea e a goleada em Madrid ao Atlético, ainda que pobre) e a goleada ao Braga, no Dragão! Muito pouco mérito teve este Dragão este ano, a começar e a acabar pela SAD, que brincou ao mercado, comprou nos chineses e pouca força teve face a determinadas injustiças! O tempo dirá, mas salvam-se os nomes de Falcao, Varela e Micael, mais Álvaro Pereira e (o novo) Hulk, bem como Sérgio Oliveira e Miguel Lopes. E que pena Jesualdo sair assim. Assim, pouco orgulho, pouco pódio!
O Braga. O grande Braga, pouco brilhante e exuberante, mas eficaz e consistente. A minha vénia ao Domingos, ainda que o mesmo não me convença ainda totalmente. Pulverizou a pontuação do técnico anterior, bem como a capacidade física da equipa, a consistência exibicional e a mestria táctica (sim porque um mestre da táctica não sofre um golo como o 2º de Liverpool, de 3 contra 7!). Sem grandes figuras, valeu pelo colectivo e é a instituição futebolística nacional que mais se pode orgulhar este ano, pelo conseguido. Ainda não é uma estrutura campeã, pois falta-lhe maior maturação, maior qualidade e experiência, e observar os resultados do trabalho de formação que tem vindo a ser feito. Para além dos amigos na Liga, garantia de títulos, saída de túneis e manobras jurídicas de diversão! Assim, muito orgulho e um glorioso segundo lugar, com acesso a uma inédita Champions. Duradoura ou não, é deles por direito.
A terminar, o mais que certo campeão nacional. Glória aos vencedores e a uma estrutura que soube fechar-se e trabalhar com afinco e profissionalismo. Saboroso será este título, após um jejum de 16 anos, 4 vice-campeonatos e 1 título à la CalcioCaos pelo meio! (Comparem-se os 70 pontos conseguidos em 27 jornadas contra os 65, em 34, desse, dito, campeão) Será também uma conquista sempre manchada por protagonistas que não ficam bem na fotografia, como são os casos de Ricardo Costa, fiel intérprete de uma justiça tão sua e tão vermelha; um batalhão de operacionais, sempre dispostos a subir a cadeiras para virar câmaras de segurança ou a treinar um outro batalhão de stewards a agir em conformidade com a tal justiça e modus operandi vermelho; uns adeptos que não conseguiram estar 2 semanas seguidas sem levar o clube a ser multado; um treinador que não escapa à crítica, sem fleuma nem classe para a instituição, e a quem espera um belo ano de 2010, pois até nem me admirava que fosse passar o Natal a outras paragens; e uma SAD a procurar informar-se sobre o que é isso de fair-play financeiro (UEFA) e a matutar o que será participar em competições europeias daqui a 2 épocas... Isto para além de piscinazos e outros cazos que em nada enaltecem a instituição e só farão provar, num futuro bem próximo, que não é com sobrancerias nem grades de cerveja que se terminam ciclos vencedores nem se iniciam outros. A espelhá-lo, a curiosa nomeação do Sr. Lucílio Baptista, para Domingo, não vá o Bicho tecê-las... Porém, se não há orgulho por aqui, pelo menos na minha óptica, há esperança quando falamos de um Benfica campeão, dominador, goleador e entusiasmante como aquele que muitos vezes entrou em campo este ano e soube deliciar os seus adeptos e os do futebol também. De um Benfica que foi o mais digno embaixador lusa no futebol além-fronteiras. A forma excelente como um David Luiz se soube afirmar como um central de categoria já apreciável, e um Ramires como um médio e jogador notável, enriquecendo o campeonato pátrio. A exemplo de outros como o Ruben Amorim, o Coentrão jogador, o Di María e o Cardozo que balança as redes. Um campeão com mérito pois foi mais profissional e melhor que os outros e uma instituição que chega ao lugar mais alto do pódio e que tem que orgulhar-se por isso! Glória aos vencedores.
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