Quem é Tetra quer ser Penta. É uma gradação óbvia e objectiva e um alvo fácil de definir e quem tem de ser fácil de conquistar. Porquê? Porque quem é Tetra tem que ser Penta. Ainda que os adversários se reforcem (de jogadores o Benfica, de estruturas o Braga, de problemas o Sporting). O que fez o Porto? Primeiro, manteve o treinador, e bem! Jesualdo nunca foi unânime no Dragão, mas roçou tal estatuto depois daquela noite tão gloriosa como trágica de Old Trafford. Juntou-lhe o Tetra e a Taça e estava lançado para a tal unanimidade. Ele que é um homem que trabalha mais do que o que fala ou se pavoneia e que por isso está mais longe de unanimidades, por não ter carisma e impacto social sobre os demais. É um antigo, como diz a malta da contemporaneidade. Ao contrário de Mourinho, que elaborava balanços de épocas com 2 colunas - dispensas e contratações, Jesualdo habituou-se, desde que entrou, a preencher um post-it com o nome dos intocáveis. A sua chegada coincidiu com o fim do deslumbramento da sad com as glórias europeias da primeira metade da década e com um reforço do paradigma sul-americano nas contratações: Argentina, Uruguai e Colômbia, centros de aquisição privilegiados de jogadores. A juntar, uma esbatida, senão esbatidíssima aposta no Projecto Visão 611, e um controlo (?) de despesas... com o plantel! Assim, o tal post-it dos intocáveis, no qual devem ter constado Anderson e Pepe primeiro, Bosingwa, Assunção e Quaresma depois, e Lucho, Lisandro e Cissokho no Verão passado, deve ter sido colocado no local errado. Certamente no painel das vendas que, com o passar do tempo, e a perda da cola, lá caiu, invariavelmente, no bolso dos administradores e no dos intermediários atlânticos de contratação pan-americana! Por aqui tudo começou a desandar. Em 3 épocas o Porto vendeu sempre os jogadores mais valiosos, não os mantendo, nem retendo, nem motivando, compensando-os, melhor ou pior, com bátegas de jogadores. Se os segundos [jogadores atrás citados] substituíram os primeiros e os terceiros os segundos, as contratações deste ano sublimaram Lucho, Lisandro e Cissokho. Sobretudo Lucho. Não há treinador que aguente face a esta razia. Por aqui se vai tapando a manta, por ali também, mas algum dia os pés ficam de fora. E há que burilar uma nova, com mais tempo e outra malha, para que os pés se tapem novamente. Escolhido ou não por Jesualdo, este plantel não serviu os interesses do Porto. Porque grande parte dos reforços não prestou nem presta, porque os que cá estavam não tomaram o relevo dos que saíram (casos de Fucile, Bruno Alves, Meireles ou Hulk) e porque os melhores até foram alguns dos novos, com Varela e Falcao à cabeça. Foi verídico o interesse em três homens: Pastore, Honda e Salvio. Homens de contraste, classe e qualidade, quase todos homens por fazer e meninos. Caros? O barato é que sai caro. Senão vejamos: Belluschi+Valeri=7/8 milhões! Quanto custou Pastore ao Palermo? E Honda ao CSKA? E Salvio ao Atlético? O mesmo que teriam custado Pastore+Castro, ou Honda+Ukra ou Salvio+Hélder Barbosa.

A erros de casting a mais e tempo a menos para formar uma equipa, para além de ilusões e desilusões trágicas, há que juntar um modelo de jogo e opções tácticas menos felizes. Relembremos que o Porto até começou bem a época, frente ao Chelsea em Londres, com Varela e Falcao no banco, lembram-se? Que longe estávamos do Porto de alguns meses depois. As experiências foram mais que muitas e o desastre estava para vir: Braga, Luz, Alvalade, Emirates, Algarve... Cinco penadas num quadro de fraco valor e catadura. Juntem-se os empates com Belenenses, Paços e Olhanense em casa, mais Leixões e Paços fora e a derrota no Marítimo (péssima exibição) e não encontramos muitas mais falhas. Mas foram as suficientes e são imperdoáveis. A juntar a um corolário grandes investimentos no Benfica, de consumação, finalmente, dos mesmos e ao Super-Braga, e temos o terceiro lugar que nos compete. Salvou-se a dispensa, finalmente também, de muitos dos emprestados e a redução do plantel a contrato para menos de 50 jogadores, bem como a utilização de alguns jovens do tal Projecto Visão 611. Mas a mossa é grande e os estragos vários. O treinador está gasto e deverá sair. Mas repô-lo com quem? O plantel está cheio de más opções e muitos deverão sair. Mas vendê-los a quem? A sad está confusa e não abdica de paradigmas, luxos, prémios e chorudas remunerações e deveria repensar-se, senão sair. Mas não saem e alternativas, onde estão? Rui Moreira, pois. Nunca avançará enquanto Pinto da Costa lá estiver. Nem ele nem ninguém. Seria queimar o pequenino e único cartucho que terão para gastar no dia em que o senhor morrer. Rodeado dos seus adeptos e de chorudas contas, financiadas por muitos desses seus adeptos. Também já o fui e creio que o senhor e os seus pares ainda poderão surpreender-nos. Mas prevejo, com mais firmeza, a entrada numa perigosa espiral política, financeira e social, que nos leve a uma decadente vivência longe dos grandes jogadores, das grandes vendas, dos grandes palcos, dos grandes contratos e publicidades, em detrimento de quem mais profissional e manhoso tem sido!
Toda a gente sabe onde é que este Porto foi menos Porto esta época. O tal 2011 do título será tudo aquilo que a sad quiser e souber querer. Com competência ou incompetência. Que Johnny Nash os inspire e nos faça continuar a acreditar que não são grades de cerveja que terminam o ciclo vencedor do Porto no Portugal democrático. Nem azelhices em série, em benefício dos interesses meramente pessoais. Mais do que nunca, queremos ser Porto. Mas é preciso sê-lo, não parecê-lo!
"Espiral" é a palavra-chave nesta problemática! Amanhã discorrerei em redundâncias ocas, que isto já não horas...
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