terça-feira, 6 de abril de 2010

Como passar ao lado de uma grande carreira?

É caso para dizer, perguntem ao Postiga. A imagem da esquerda resumem as minhas expectativas para a carreira do Postiga: a referência que a Selecção Nacional estava a precisar para a sua frente de ataque e vários golos somados com a camisola das quinas. No entanto, longe vão esses tempos e goradas estão essas expectativas.

Postiga deveria ser castigado pois não pode ser desresponsabilizado por ter desperdiçado tanto talento que lhe foi dado.

Postiga começou a ganhar protagonismo e o estigma de futura estrela no mesmo tempo e espaço que surgia outra estrela no banco: José Mourinho. No ano em que o Porto conquistou a Taça Uefa, o miúdo Postiga exibia-se a grande nível, concretizando oportunidades com um talento e uma classe rara nos relvados Portugueses. Especialmente, qualquer portista se lembra da grande noite que realizou frente à Lázio nas Antas. Aos 20 anos de idade, somou 19 golos numa temporada, 6 deles na Taça Uefa.

O que parecia ser o nascimento de um novo avançado em Portugal, daqueles modernos, que para além de marcar golos também sabe jogar fora da grande área, cedo demonstrou que lhe faltava algo. Foi com grande admiração que, após uma época tão boa e na flor de idade, o Porto o vendesse por 9M € e que José Mourinho deixasse facilmente abrir mão da sua colaboração. A verba era importante e o Porto daquele tempo ainda não conseguia fazer vendas pelos valores que consegue hoje mas, mesmo assim, tão grande talento transferir-se para um Tottenham, não é normal.

Rotulado de estrela, falhou redondamente na sua adaptação a Inglaterra. Apesar de ter feito uma época muito aquém das expectativas, foi convocado para o Euro 2004 e proporcionou aos Portugueses um dos melhores momentos de sempre: o penalti marcado contra Inglaterra. Pura classe, talento estampado na cara, displicência própria dos génios naquele penalti à Panenka. David James ainda deve estar hoje a morder-se por ter sido batido assim, de forma tão superior.

Com este penalti, a carreira de Postiga parecia relançar-se ao voltar ao Porto, através do negócio de Pedro Mendes. De regresso, Postiga não foi opção para os treinadores do Porto, exceptuando José Couceiro (em metade da época) e Jesualdo Ferreira. Depois de uma boa época com Jesualdo Ferreira, foi relegado para o banco ou bancada, até ser novamente emprestado aos gregos do Panathinaikos.

Claramente queimado no Porto, o Sporting viria a afirmar-se como a grande última oportunidade de singrar no futebol Português ao mais alto nível. Sporting fez um investimento importante na compra do seu passe mas ainda hoje discute com Djaló quem é o avançado mais sazonal do Sporting.

Com tantos treinadores que passaram na carreira do Postiga, o que é que lhe falta para nunca ser uma aposta concreta? Ele respondeu esta semana, no jornal do Sporting: «Frente ao rival, é para ganhar. Está em causa a dignificação da camisola do Sporting». A dignificação do clube que representa. Postiga sempre pareceu um jogador pouco concentrado e pouco comprometido com os clubes por onde passou. Parece que apenas joga bem quando lhe apetece e, infelizmente, raramente apetece.

Vislumbro o Postiga a brilhar num clube como o Braga ou o Guimarães no futuro, mas, ao mais alto nível, falta-lhe comprometimento, constância e mentalidade vencedora. Infelizmente para o Sporting, infelizmente para a Selecção.

1 comentário:

  1. Infelizmente concordo. Quando Postiga fez aquela época de 2002-2003 de elevada qualidade para um mero jovem, pensei que a selecção tinha encontrado finalmente o seu avançado.

    Perdeu-se em Inglaterra, perdeu-se no regresso ao Porto e quando alguém tem de rivalizar com Yannick Djaló por um lugar no 11, creio que isso acaba por dizer tudo sobre o jogador.

    Tal como Ricardo a defender penalties, saber marcá-los de forma superior não chega para ser considerado um jogador de topo.

    Futuro? Fora do Sporting...quiçá num Guimarães....

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