quarta-feira, 7 de abril de 2010

Messi: O novo deus

Todas as semanas poderia escrever um artigo sobre o Messi, mas não o vou fazer. Este é o primeiro e não tenciono voltar a escrever sobre ele num futuro próximo. Porquê? Porque começam a faltar-me palavras para descrever o que ele faz em campo.

Ontem, quartos de final da Liga dos Campeões, Barcelona-Arsenal, um jogo entre duas grandes equipas Europeias. Nervosismo? Sim, é natural...menos para Messi. A equipa a perder em casa, nos momentos iniciais, e teoricamente fora da competição. Nervosismo? Sim, ainda mais...menos para Messi. A tudo isto, Messi respondeu com quatro golos. Gosta de remates de fora de área a dar em golo? Veja o primeiro golo. Gosta de finalizações dentro de área? Veja o 2º golo. Gosta de ver jogadas terminadas em muita classe e de chapéuzinhos ao guarda-redes? Veja o 3º golo. Se preferir dribles, uma dose de sorte e um túnel ao guarda-redes, então veja o 4º golo.

Impressiona a forma como Messi encara cada jogo de futebol como se fosse o último da sua carreira, sem nervosismo mas com muita alegria no seu jogo. Não é um jogador que humilhe propositadamente o seu adversário, não se põe em dribles desnecessários e fintas espampanantes. Para ele, o futebol é simplicidade. Por muito estranho que possa parecer, para ele, o futebol é colectivo.

Infelizmente (ou felizmente), ver Messi driblar três, quatro ou cinco defesas é algo normal e que já nem tem valor. Caso fosse outro jogador qualquer, era uma jogada de encher o olho mas, como é Messi, é normal, é o expectável.

Comparar o C. Ronaldo com o Messi, parece-me sacrilégio. Sou Português mas tenho visão. Sei também ver que são dois tipos de jogadores diferentes, com características diferentes. Verdade é só uma, as características de Messi permite-lhe marcar mais e assistir mais do que as de Ronaldo.

É engraçado que Ronaldo é apontado por muitos como o protótipo perfeito do que é um jogador do séc. XXI: alto, forte, rápido, bom de cabeça, remate muito forte, grande técnica e ainda bonito o suficiente para vender umas revistas e umas calças de ganga. Já Messi parece ter tudo para passar despercebido: franzino, baixo e sem grande resistência física. No entanto, basta vê-los a jogar para apreciar a diferença. Ronaldo é um jogador que foi perdendo a magia da sua juventude: é difícil vê-lo a driblar mais do que um jogador, aquelas fintas de fantasista foram desaparecendo do seu cardápio e tornou-se num jogador "máquina". O que é um jogador máquina? Adianta a bola de 5 em 5 metros, tenta bater os seus adversários em velocidade e força e chuta com violência para a baliza contrária. Messi é muito mais do que isto.

A Ronaldo apontam que ele é melhor de cabeça; Messi responde-lhe com o golo marcado na final da Champions, no ano passado, ou o golo marcado na semana passada. Ronaldo tem um remate mais forte; Messi responde-lhe com o golo de ontem. Ronaldo é mais corpulento; Messi escapa-se pelos seus adversários. Apesar de Ronaldo ter melhores características, Messi é capaz de ser mais eficaz nas mesmas. E além de tudo o que Ronaldo tem, Messi é um jogador criativo, de um drible curto que faz lembrar Maradona e de uma classe de génio. Messi leva mais golos esta época, mais assistências e mais elogios; Ronaldo continua, com Higuain, a levar o Real às costas, mas não conseguiu levar a sua equipa mais longe na Champions.

Há algo que estes dois craques têm em comum: teimam em não manter o nível exibicional nas suas Selecções Nacionais. Maradona é um treinador fraco, com muitas ideias (tendo em ideia 10 jogadores para cada posição, face ao número de jogadores diferentes que convocou até então) mas sem nenhum talento para o banco. A magia que tinha dentro das quatro linhas, perde-se quando passa para o banco. A Argentina é uma equipa sem identidade e que joga diferente do Barcelona. Mas de Messi é esperado mais e é com grande curiosidade que espero pelo Mundial. Se Messi conseguir levar a Argentina às costas, perfila-se o novo deus do futebol de todos os tempos.

Comparando com Ronaldo, se não bastasse ser melhor, ainda consegue ser um craque humilde, que festeja todos os seus golos com uma alegria semelhante a de uma criança e vai festejar todos os golos que a sua equipa marca. Não é um jogador que venda calças de ganga, mas é um jogador que dá títulos. O que é que eu prefiro? Títulos.

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