segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Temperaturas altas na 2ª Circular
Estão de volta as grandes emoções do nosso campeonato. Este fim-de-semana teve início a I Liga de Futebol. Este ano, a liga promete. Nada habituado a estas andanças, o Porto está fora da Champions devido a não se ter sagrado campeão; por outro lado, o Benfica começa campeão e com estatuto de quem apresentou o melhor futebol em Portugal dos últimos anos; o Sporting vem de uma temporada desastrosa e tenta justificar o seu estatuto de grande; e o Braga, novo nestas andanças, é olhado como um sério outsider na corrida pelo título. Habituados a luta a três, o facto de haver um quarto clube na equação é algo bastante salutar para Portugal.
A primeira jornada não oferecia, à primeira vista, grandes desafios para os grandes. O Benfica recebe a Académica, o Braga recebe o recém promovido Portimonense, o Porto desloca-se à Figueira da Foz para defrontar a Naval e, finalmente, o Sporting viaja até à capital do móvel para jogar contra o Paços de Ferreira. No entanto, dois resultados inesperados vieram mostrar que já não existem jogos de favas contadas.
O Benfica partia como mais que favorito para este jogo e o resultado esperado seria até uma goleada face a uma Académica de estaleca teoricamente inferior ao campeão. No entanto, havia uma grande curiosidade para saber como é que o Benfica reagiria após uma derrota contra o grande rival na Supertaça. O Benfica entrou de forma pouco agressiva, sem aquela busca pelo golo que tanto o caracterizou no ano passado. Viu a Académica a ter bons lances de ataque e, por fim, a chegar ao golo. Em desvantagem, um cenário pouco experimentado pelo Benfica no ano passado, o Benfica aumentou o seu caudal ofensivo sem isso resultar em ocasiões claras de golo. No entanto, após expulsão de Addy (justa), o Benfica chegou ao golo através de Jara. Balanceando-se completamente para o ataque, o Benfica causou algum pânico da área da Académica mas nunca com discernimento. Na etapa complementar, veria um contra-ataque mortífero a resultar no golo da noite, num remate fora da área a sobrevoar o Roberto, que nada podia fazer para evitar o golo.
O Braga recebeu e venceu o Portimonense, de forma segura. Apesar de uma resposta da equipa do Algarve, a vitória do Braga nunca teve em questão e a equipa de Domingos continua a mostrar uma grande regularidade.
O Porto foi à Naval vencer num campo tipicamente de equipa pequena Portuguesa: pequeno e sem condições para jogar ao mais alto nível. No entanto, a Naval entrou mais forte frente a um Porto apático, sem ideias e bastante preso. Nunca causou pânico na baliza contrária, mas a Naval foi para o intervalo na mó de cima. Na 2ª parte, o Porto entrou diferente, mais acutilante e com um Hulk galvanizado. Apesar de não fazer sempre tudo bem, Hulk foi o que se mostrou mais inconformado com o resultado. Varela saiu após um jogo em que tudo lhe calhou mal e, para seu lugar, entrou Guarin. Apesar de entrar mal no jogo, permitiu a que o Porto passa-se a jogar em 4-4-2 e a ter mais bola. Nos minutos finais, após o volume de jogo ofensivo do Porto ter aumentado, surgiu um penalti, bem assinalado, a castigar uma mão na bola; Hulk converteu-a para sossego dos adeptos portistas.
O Sporting deslocou-se a Paços de Ferreira e não poderia ter entrado pior no campeonato: com uma derrota e, para juntar, uma exibição pobre, principalmente na 2ª parte. Se até fez uns bons primeiros 45min, o Sporting na 2ª parte mostrou todas as suas fragilidades e limitações.
Em suma, esta jornada estabeleceu cenários pouco previsíveis há umas semanas atrás e que será curioso para ver a resposta das equipas aos mesmos. Há 15 dias atrás, Jorge Jesus afirmava que dificilmente alguém venceria este Benfica. Com 29 golos marcados na pré-época, esta afirmação parecia fazer todo o sentido e incendiava os egos dos benfiquistas. Para seu grande azar, parece que esta frase viria a ser a sua maldição pois desde então todos os adversários venceram o Benfica. Se na época passada cedo inflamou os adeptos, este ano Jesus parece estar a ter dificuldades em acalmar as hostes, fazer esquecer o que de tão bom se passou na época passada e focar os jogadores na época presente. O Benfica está mais fraco e dá a ideia que esbanjou dinheiro em jogadores ao invés de reforços. São notórias as lacunas do Benfica, numa equipa desprovida de imaginação. Se uma derrota tão categórica frente ao Porto já serviu de pré-aviso, esta derrota caseira fez soar o alarme na Luz. O que lá vai, lá vai e agora é preciso trabalhar para levar o Benfica aos mesmos índices do ano passado. Além de trabalho, são precisos verdadeiros reforços.
É pena que em 15 dias o discurso de Jesus comece já a sofrer algumas alterações. Aqueles chavões de dominação total começam a desaparecer, começa a falar dos jogadores que não tem (algo que nunca aconteceu no passado) e, por vezes, a perder o respeito pelo adversário, mostrando a sua natureza rude e agreste.
Uma palavra para David Luiz. Se na semana passada merecia ter ido tomar banho mais cedo, esta semana ficou-lhe muito mal a pressão efectuada sobre o árbitro no final da partida. Começa a revelar que nas horas de aflição, ainda não tem maturidade suficiente para saber lidar com os dissabores do jogo.
Do outro lado da 2ª circular, Paulo Sérgio cada vez mais começa a parecer mais um tição para queimar na fogueira que tem sido o Sporting dos últimos anos. O Sporting tem sido uma equipa que não aquece o coração do mais fervoroso Sportinguista. Não tem ideias, não domina os jogos, não tem caudal ofensivo, muitas dificuldades para criar ocasiões de golo e muito frágil a defender, o alarme em Alvalade continua a tocar de forma cada vez mais veemente.
O Porto esteve também muito mais pálido em relação ao jogo da semana passada. O campo era outro e a motivação era outra. No entanto, teve a pontinha de sorte que faltou no passado. Uma referência a André Villas-Boas, que está em crescendo, que na 2ª parte não teve pejo em trocar o sistema táctico da equipa e desorientando a Naval. Se os intérpretes não foram os melhores, o desenho táctico chegou para causar rupturas nas marcações e criar espaço para os jogadores do Porto.
Para a semana, a curiosidade é grande para ver o Benfica que vai à Madeira, jogar num campo dificílimo, o do Nacional, num estado que nunca experimentou no passado: duas derrotas oficiais seguidas e uma delas em casa. Será que Jesus tem mãos para um balneário chamuscado? A ver vamos...
Este artigo foi feito com base no que vi e li sobre os jogos que comentei. Vi o jogo completo do Porto, a 2ª parte do Benfica e, a espaços, a 2ª parte do Sporting. Vi todos os golos marcados nesses jogos.
Etiquetas:
Benfica,
Braga,
Futebol Clube do Porto,
Jornada 1 10/11,
Sporting
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário