domingo, 8 de agosto de 2010

A Ressurreição do Porto (e do blog)

Após umas férias, baseadas mais em preguiça do que em cansaço, estamos de volta, assim como está a época 2010/2011. Se no Mundial, todos ficamos com a sensação que Portugal poderia ter chegado mais longe se fosse mais corajoso e audaz e que Espanha foi uma campeã Mundial sem deslumbrar, já a nossa pré-época foi bastante animada.

O Porto foi um dos clubes que mais surpreendeu com o forte investimento que fez, principalmente, em João Moutinho, ex-capitão do (ex) rival Sporting. Foi buscar algumas promessas, caso de James Rodriguez e Walter, promoveu alguns regressos, Castro e Ukra, e fortaleceu de forma consistente alguns sectores, principalmente o meio-campo.

O Benfica vendeu duas pérolas do passado, Di Maria e Ramires, por verbas assinaláveis, encaixando quase 50M€. Foi buscar Gaitán e Jara como os reforços mais prometedores e, a melhor contratação, na minha opinião, é a manutenção de David Luiz. Uma contratação que poderá dar muito que falar foi a de Roberto, um guarda-redes caríssimo que pouco tem convencido os adeptos benfiquistas.

O Sporting parece ter virado costas ao seu passado e à sua formação e está a contruir uma equipa mais madura. Está a vender os poucos jogadores que restam da formação por preços muito abaixo do que se falava há uns anos (casos de João Moutinho e Miguel Veloso) e a contratar jogadores já feitos e com experiência. Se Paulo Sérgio tiver engenho, até pode construir uma equipa para agora mas não vejo jogadores para potenciar (e vender) de forma a tornar mais saudáveis as fracas finanças de Alvalade.

O Braga foi obrigado a perder alguns jogadores importantes do ano passado (Evaldo e Eduardo, por exemplo) mas reforçou-se de forma inteligente, indo buscar alguns dos melhores jogadores do campeonato passado, tais como Lima e Hélder Barbosa. Manteve alguns jogadores importantes (Alan) e poderá constituir um sério candidato ao apuramento para a Champions, pelo menos.

Com esta pré-época como fundo, o jogo de ontem era esperado com alguma curiosidade. O Porto sempre habituou-se a disputar a supertaça como campeão e, muitas vezes, contra o vencido da final da Taça de Portugal. Num cenário completamente, defrontou um Benfica campeão sem contestação, e com muito mérito, e mais do que favorito para o jogo de ontem. Isto porque o Porto mudou de treinador, perdeu o seu capitão, mudou algumas peças e, mais do que isso, de mentalidade e processos de jogo. O Benfica manteve grande parte da sua estrutura, jogadores e treinador e continuava empolgante durante os jogos de pré-temporada.

Com o apito inicial, cedo se percebeu que este Porto está diferente. Cedo marcou e isso ajudou a dar confiança à equipa e a crescer. A diferença relativa ao ano passado está na mentalidade atacante da equipa. Ataca com mais unidades, é mais pressionante em terrenos avançados do campo e a defesa joga junto à linha de meio-campo, principalmente quando a equipa está atacar. Esta forma de jogar ajuda a afixiar os adversários e a controlá-los no seu meio-campo. Curiosamente, esta também tem sido a forma de jogar do Benfica.

No entanto, ontem o meio-campo e o ataque do Benfica poucos argumentos teve face ao meio-campo do Porto. O trio portista teve em grande forma e ajudou e potenciou os seus colegas da frente. Na primeira meia-hora, não se viu Benfica. O Porto sufucou e jogou grande parte do tempo no meio-campo benfiquista. Ao passar da meia-hora, o Benfica cresceu mas sem nunca causar muito perigo.

Na 2ª parte, pensava-se que o Benfica iria arriscar mais e entrar mais dominante. No entanto, quem pensava isto, estava enganado. O Porto continou na mó de cima, sendo mais agressivo sobre a bola e parecendo mais à vontade durante o jogo. Na minha opinião, o Benfica estranhou estar a perder, estranhou ter que correr atrás da bola, estranhou não ter o jogo a seu belo prazer e a comandar como fez (tão bem) no ano passado. A meio da 2ª parte, o Porto marca e sela o jogo. Até ao final, um maior caudal ofensivo do Benfica mas nada de muito assinalável, fora um falhanço de Saviola e uma correspondente grande defesa de Helton.

É possível tirar algumas ilações desta partida. Realmente, André Villas-Boas quer um Porto muito diferente do ano passado. Quer um Porto dominante, protagonista e que sufoca os adversários. Fazer o que fez ontem dá para os portistas sonharem com o regresso ao primeiro lugar do campeonato. No passado, Rolando nunca teria marcado ontem (pois a bola teria sido bombeada para Bruno Alves), Fernando seria alvo dum inquérito disciplinar, pois passou a linha do meio-campo, e Varela levaria um puxão de orelhas por ter partido tantos rins. Hulk teve uns furos abaixo do que pode fazer e continua a provar que nos grandes jogos o lugar certo para ele é o banco. Uma palavra especial para uma grande exibição dum jovem Português: Varela. Ontem fez uma exibição deliciosa, com dribles, cavalgadas que de certeza lhe ficarão na memória para o resto da vida. Amorim ainda não sabe como é que a bola passou no meio das suas pernas e Luisão procura por doadores de rins. Uma exibição brilhante!

Quanto ao Benfica, Jorge Jesus respeitou em demasia o Porto e o Hulk. Apesar de compreender, face ao protagonismo do Benfica no ano passado, à grande pré-época que vinha a fazer e a "fraca" pré-época do adversário, o facto de por César Peixoto a defesa esquerdo e Coentrão a extremo demonstrou o grande respeito que o treinador Jesus tem pelo Porto e pelo Hulk. Se bem que Hulk se secou a si próprio, Coentrão a extremo perde todo o protagonismo que tem e deixa de ser aquele catalizador de futebol ofensivo pelo flanco esquerdo. Pareceu-me que o Benfica não tem as mesmas soluções do ano passado e faltou a irreverência de Di Maria e as pernas de Ramires para ligar a defesa ao ataque. Sinceramente, creio que faltam reforços sérios no miolo do Benfica.

Sem dúvida que foi um belo espectáculo para iniciar a época, num jogo excitante e bem jogado. A nova época promete e fica a questão se acabou o gás ao Benfica e ao seu treinador.

PS - Esta vitória deveria ser dedicada à imprensa desportiva que passou a semana a salientar os 29 golos do Benfica na pré-época, as derrotas parisienses do Porto e que transformou este jogo num jogo já ganho para o Benfica. No entanto, têm a memória curta e deveriam lembrar-se que é nestes momentos que o Dragão surge e com maior força. E se este Benfica dificilmente é parado, para Jorge Jesus, talvez seja bom começar a pensar em rever o que diz pois numa semana, foi parado duas vezes...

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