domingo, 15 de agosto de 2010

Oficialmente, a culpa é do Queiróz!

Castro, Nelson Oliveira, Diogo Salomão. E Mário Felgueiras. E Caetano e Bebé.
6 nomes, 1 destino comum. 6 jovens jogadores portugueses, uns mais velhos do que outros e, portanto, mais experientes. Mas todos, ou quase todos, com o mesmo fado: o lugar à sombra, porque a ribalta fica para os estrangeiros, por vezes da mesma idade.
O Castro tem tido uma carreira fulgurante. Campeão nacional no seu último de júnior, repetiu a dose no primeiro de sénior, também ao serviço do Porto. Pouco jogou e daí foi rodar até Olhão, num Olhanense então pela Liga de Honra. Fartou-se de jogar, em quantidade e qualidade, assumiu-se como um jogador fundamental e voltou a repetir a dose habitual: campeão nacional. Novo ano, regresso ao escalão principal, ainda no Olhanense. Repetiu a dose do muito e bom jogo, brilhou a bom brilhar e só não foi campeão porque o Olhanense nunca o será. Mas foi o suficiente para regressar à casa-mãe, ou seja, ao Porto. Fez a pré-época, ao seu estilo, foi-se esquivando à saída, por empréstimo ou em definitivo, mas continua na sombra. Na 4a foi titular de quinas ao peito na Lituânia; ontem não mereceu um lugar na convocatória, viu jogar (muito pouco) o Belluschi e depois entrar o Guarín, porque este nem jogar consegue. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.
Nelson Oliveira, em teoria, o futuro ponta-de-lança da Selecção. No primeiro ano de sénior, isto é, na temporada transacta, só substituiu o João Tomás no Rio Ave, enquanto este foi amealhar a fortuna da sua vida, durante 6 meses, nas Arábias. Este ano seguiu para o Paços, que parece apostar na miudagem, muita dela lusa. O que é certo é que não coube no Benfica, que gastou 7 milhões de euros no Rodrigo, hispano-brasileiro dos juniores do Real Madrid, seu adversário no último Campeonato da Europa de Sub-18. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.
Diogo Salomão, o miúdo resgatado ao Real Massamá. Devido à escassez de recursos, o Sporting lá fez regressar este jovem extremo, que brilhou a bom brilhar na pré-temporada. Criou, até, um entusiasmo como já não se via desde que o José Peseiro lá fez estrear, também por esta altura, um tal de João Moutinho. Mas este Salomão deve estar mais ocupado na construção de um Templo, pois nas covocatórias do Sporting não tem entrado. Os diamantes estrangeiros são para lapidar em força, os nossos são para resguardar, retirando-lhes minutos essenciais de competição. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.
Restam-nos os outros 3. O Mário Felgueiras foi mais uma vez emprestado pelo Braga, desta feita ao Rio Ave. A treinar no Estádio dos Arcos, viu o Quim chegar e lesionar-se com gravidade, o Kieszek rumar ao Dragão (para?), o Marcos chegar do Brasil sem competição há meses, o Kieszek não regressar, o Stojkovic não chegar... E lá regressou, à pressa, à Cidade dos Arcebispos. A tempo de ser titular na brilhante eliminatória da Liga dos Campeões, a maior competição de clubes da Velha Europa, onde também foi essencial no apuramento histórico dos bracarenses. Entretanto chegou o Artur Moraes, o Felipe e eis que... está de regresso a Vila do Conde. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente. O Caetano, filho de pai homónimo, também ele extremo, viu-se no primeiro ano de sénior no impasse costumeiro de ser português e não servir para a primeira equipa do Porto. Ao menos o clube deu-lhe a carta de liberdade e rumou, por 4 épocas, à Mata Real. Por lá brilha a bom brilhar. E o Paços esfrega as mãos de contente. Pois já prevê o ataque de um Manchester, que após levar o Bebé, poderá ver nele, ou não, um novo Giggs. Ou um novo Di María, que o Benfica ainda não conseguiu substituir. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.
A acabar o Bebé. Teve que crescer na Casa do Gaiato, representou Portugal no Mundial dos Sem-Abrigo, há 2 anos, viu o Estrela contratá-lo... e acabar com o futebol profissional e 2 meses de pré-época no Guimarães chegaram para renovar contrato pelo meio e rumar ao Manchester, que pagou por ele mais do que o Benfica pagou pelo Roberto, pelo Gaitán, e quase tanto como o Porto pelo Moutinho. Mas pagou ao Guimarães, nas barbas de toda a gente. Nasceu no sítio errado, Buenos Aires, Montevideo ou Bogotá já lhe tinham trazido outra sorte. Isto se quisesse jogar num suposto grande português. Assim vai aprender com o Rooney. O Ferguson é que a sabe toda. Mais do que os tugas todos juntos. Ou não. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.


PS - outro dia fui jantar uma francesinha a Paços de Brandão. Quem conhece o burgo desconfiará, pela certa, do sítio onde fui, tão óbvio que é. Tinha lugar à porta para estacionar e a manobra foi-me facilitada por um familiar do Sérgio Oliveira. Que também lá estava. Fiz por não encostar muito o carro ao passeio e ao veículo da frente e, com a cabeça de fora da janela, expliquei que era para proteger o Sérgio, para não o magoar, na esperança de o Porto um dia o aproveitar. Um dia, quando escassearem os argentinos, uruguaios e colombianos da idade dele que cá estão, mas que são estratosfericamente melhores. E disse também que o rapaz tinha nascido na pátria errada. Outra, mais sul-americana, já lhe teria valido outras glórias.
O Guardiola que o diga. Bem como os técnicos italianos que se aprestam para receber o Danilo Pereira, considerado pela UEFA um dos 10 melhores jogadores do já supra-citado Europeu de Sub-18, e que está em trânsito para Itália, a troco de 150000 euros, visto o Benfica não ter contrato profissional com ele. Nem com ele e nem já com o Ramires. Explicação para isto?... Ninguém a sabe dar. Oficialmente.

1 comentário:

  1. Junte-se o Miguel Vítor a contemplar, lá de Inglaterra, a exibição do Sidnei hoje...

    ResponderEliminar