domingo, 15 de agosto de 2010

O eixo da defesa portista 2010/2011


Mais de um mês depois retomo a análise ao plantel portista para a nova época. Que já começou, o que faz com que esta análise enferme por tardia, mas actualizada por acompanhar o devir quotidiano da temporada, qual Lusíadas (sem pretensão nenhuma de lá chegar, de todo!), in media res.
Curiosamente, é o sector sobre o qual pairam mais dúvidas e que sofreu mais alterações. Sendo também dos que mais jogadores contratados possui, senão o primeiro deste ranking. E são várias as perguntas que coloco, deixando-as no ar, para reflexão, sem que as mesmas fiquem sem resposta, pois são óbvias e respondem-se a elas próprias, como se tivessem vida.
1. Sabendo o Porto, de antemão, que iria (ou poderia) perder o Bruno Alves (3771 minutos na época passada, em 42 jogos, todos a titular, com 7 golos marcados, 14 amarelos e 1 vermelho), até pela exposição contínua nas últimas épocas, acentuada pelo Mundial, não se devia ter precavido previamente, com a contratação de um jogador à altura, a tempo e horas, não arrastando a venda do Bruno, capitão de equipa, e a compra de outro central para depois do início da época?
2. Valeu a pena assegurar tão atempadamente (Janeiro?) a contratação do Sereno, quando tinha no plantel Nuno André Coelho (540 minutos em 2009/10, em 7 jogos, todos a titular), valor emergente do nosso futebol, que acabou envolvido no negócio Moutinho e que tão melhor faria do que o alentejano, como se viu na pré-época?
3. Sendo muitas as indefinições em torno desta posição, valeu a pena ao André Pinto (1948 minutos no Setúbal na época passada, em 23 jogos, sendo que em 22 como titular, com 1 golo, 4 amarelos e 2 vermelhos), titular da Selecção Sub-21, fazer o estágio na Alemanha, onde se exibiu muito bem, bem melhor do que o Sereno, e depois ser preterido em favor deste e ainda acabar emprestado, mais uma vez, a uma equipa condenada a lutar pela não despromoção, em vez de rodar, por exemplo, num Marítimo (treinado por um grande ex-central, com outras aspirações e com competições europeias), permitindo até, quem sabe, desbloquear o ainda bloqueado Kléber?
4. Para quê voltar a emprestar o Tengarrinha (1884 minutos no Olhanense, em 23 jogos, sendo titular em 20, com 2 golos, 11 amarelos e 2 vermelhos), agora ao Santa Clara, da Liga Orangina, depois de meio ano no Estrela, em 2008/09 e a temporada passada em Olhão? Por que não libertá-lo em definitivo? A mensagem passada a todos e sobretudo ao próprio não foi de grande confiança!
5. Para quê arrastar até ao passado mês de Julho os contratos infindáveis do Stepanov e do Steven Vitória?
Assim, resta fazer referência à dupla presente de centrais do Porto, Rolando e Maicon e aos emprestados Bura, Abdoulaye e Renato. Os dois primeiros têm-se apresentado com eficácia. O Rolando foi ao Mundial mas não jogou e tarda em ser mais do que o Rolando (3720 minutos, em 42 jogos, com 6 golos e mais 2 na própria, bem como uns míseros 3 amarelos) que chegou ao Dragão há 2 anos, vindo do Belenenses. Sem Bruno Alves chegou a hora de mostrar tudo o que vale, pois a responsabilidade de liderar o sector defensivo passou a ser sua. Do Maicon (988 minutos em 2009/10, em 12 jogos, 11 a titular, tendo marcado 1 golo e visto 1 amarelo) espera-se o melhor e que confirme os dotes de central de marcação implacável. O Porto trocou o goleador Farías pelos restantes 50% do seu passe e deposita nele grande confiança.
Dos emprestados, o Bura é o que tem mais condições de regressar. Depois de meia época no Gil Vicente, onde pouco jogou, rumou a Penafiel, onde somou, no total, 1290 bons minutos, em 19 jogos, sendo titular em 13, somando 1 amarelo e 1 vermelho. Este ano chegou ao escalão principal, onde é titular no Paços, bem como na Selecção Sub-21. Já o Abdoulaye e o Renato cumprem o primeiro ano de sénior. Nenhum dos 2 me impressionou, sobretudo o primeiro, de quem tanto se fala. Acabaram por ter contrato profissional (os únicos, para já) e rumaram, respectivamente, à Covilhã e ao Santa Clara, onde têm jogado como titulares, o que é bom sinal.
Concluindo, falta 1 central. Que seja central, com competência, qualidade e classe central, assumindo importância central na equipa. A não ser assim, por cá deveria ter ficado o André Pinto. Perdido o Ricardo Carvalho para o Real Madrid, são vários os jogadores apontados. E caros, face aos jogadores que são e ao que podem trazer de imediato à equipa. Pois nenhum é daqueles fabulosos. A não ser o Miranda, do São Paulo, mas 10 milhões não devem chegar para esse. Ou seja, não chegam, nem o Porto lá chega. Ficamos à espera para ver!

1 comentário:

  1. Visto que dificilmente o Porto irá buscar um central para ser titular de caras e que nós, míseros treinadores de bancada o conheçamos, ao menos que vá buscar um central promissor e que se adapte rapidamente ao clube e que constitua uma ameaça ao Rolando e Maicon.

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