Portugal fez história hoje: uma das maiores goleadas de sempre num Mundial, para Portugal, e a maior, até ao momento, desta edição do torneio. Portugal conseguiu concretizar práticamente todas as oportunidades que criou, algo extremamente raro. No entanto, há razões para passar da descrença para a euforia? Foi um sinal de perfeição ou uma ilusão? Para mim, esta é a questão que se coloca...
Hoje tudo correu bem (excepto o Miguel que esteve francamente uns furos abaixo dos seus colegas), toda a gente marcou, bonitas jogadas, golos bizarros, bolas nas traves...deu para tudo. Tiago esteve muito bem, Raul Meireles conseguiu quebrar o gelo, Ronaldo o enguiço com os golos, Coentrão mostrou a sua irreverência, Carvalho a sua classe e Hugo Almeida a sua utilidade. Se a equipa, na primeira parte, foi cinzenta, conseguiu demonstrar todo o seu poderio na segunda parte. Ninguém imaginava, ao intervalo, um desfecho com estes números.
No entanto, nós Portugueses, somos facilmente iludidos. Do outro lado estava a Coreia do Norte. Uma equipa sem tradição nestas andanças e uma das mais fracas do torneio. Apesar de mostrar uma boa imagem contra a equipa do samba, apesar de ter dado uma boa imagem nos primeiros 45min, mostrou também todas as suas fragilidades nos restantes 45min. É importante ver quem esteve do outro lado.
Face a isto, há três caminhos a seguir para os Portugueses: ser eterno crítico da selecção, ter fé ou andar iludido. Como tudo na vida, tento ir pela via do equilíbrio: tenho fé. Acho que há razões para ter uma esperança. Se no primeiro jogo, Portugal esteve muito pálido, muito longe do futebol que lhe é característico, já neste esteve noutra galáxia, pois venceu o seu adversário e conseguiu vencer-se: marcar todas as oportunidades que teve. Isto é atípico de Portugal mas típico de uma equipa fria, pragmática, racional e implacável. Geralmente, equipas com estas características chegam longe...
Ser eterno crítico é plausível. Numa selecção de todos nós, é óbvio que temos sempre uma solução para o que está menos bem. O que até é bom, é sinal que existem alternativas. O treinador não é grande espingarda, já tivemos equipas mais empolgantes, aceito e até concordo com todos esses argumentos. Mas face à exibição de hoje, teremos de ser sempre um povo pessimista?
O oposto também me parece negativo. Ganhar 7-0 a uma Coreia do Norte não apaga o cinzentismo escuro do nosso apuramento e do primeiro jogo. Não acreditemos que o Hugo Almeida, Tiago e outros jogarão assim todos os jogos. Nunca deram sinais disso.
Assim sendo, fico um homem de fé. Um homem com percepção das nossas limitações mas que, se aliarmos o nosso talento à sorte e ao momento, poderemos chegar longe. Ainda é muito cedo e descabido falar de "campeões" do mundo, mas ao menos o apuramento parece algo certo no grupo mais díficil do Mundial. Apesar do próximo jogo poder ser encarado como um amigável, pois a única questão (e importante) é ver quem é o primeiro e segundo lugar, creio que Portugal deveria encarar o jogo de uma forma muito séria e uma resposta positiva a um desafio tão exigente como o do Brasil mostraria à equipa, treinador e adeptos que há motivos para acreditar.
Perfeição ou ilusão? Prefiro pragmatismo goleador.

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ResponderEliminar7 golos chegaram e sobraram para te animar e nos dar confiança a todos. Nem eram os piores na passada 3a, nem são os melhores a partir de hoje. De resto, concordo a 100% com tudo, por alguma coisa és o comentador de serviço neste Mundial!! 5estrelas!
ResponderEliminaracima de tudo, um jogo destes serve para dar tranquilidade. mais que propriamente motivação - estão no mundial, como é possível não estar motivado? agora, sabem que apenas um daqueles milagres à português (mas invertidos) poderia estragar a passagem aos oitavos.
ResponderEliminare serviu, também, para mostrar como a velocidade é a única arma possível contra equipas defensivas (embora me tenha parecido que hoje os coreanos não se meteram tanto atrás, o que ajudou muito - talvez o físico tenha estoirado de vez, vamos ver como irão reagir contra os brutos dos costamarfinenses...)
de resto, a equipa não melhorou, como dificilmente alguma melhora, os índices tácticos. a esta altura, é mais a questão psicológica que qualquer outra, a fazer crescer uma equipa.