Carlos Queiroz é um malfeitor. Deixou o futebol português em pantanas, tudo porque é o rosto mais visível das patranhas que o compõem, sendo o cabeça-de-turco dos sucessivos tiros no pé que a FPF tem dado, ou seja, a vítima, ao mesmo tempo. Na passada Segunda-feira, discutia-se no Prós e Contras da televisão pública lusa, que rumo deve seguir o nosso futebol, sobretudo por se perceber que a culpa não é do Queiroz, visto que quase tudo, senão tudo, está mal e que ele não é o culpado, ou pelo menos o maior e mais premente.
Idilicamente, creio que a solução passa por fazer com que o futebol deixe de ser uma paranóia colectiva e nacional e devolvê-lo ao quotidiano de tantos miúdos e aos lendários Domingos à tarde, já de vento no Outono, de chuva e frio no Inverno, de um reconfortante sol primaveril e do habitual calor de final de época. Então, todos esperávamos e folgávamos com aqueles 90 minutos em que todos, ou quase todos, jogavam às 15h ou 16h, nos nossos velhinhos estádios, que eram mais campos, onde a entrada era franqueada por baixo das míticas placas que sinalizavam o rectângulo de jogo. Aí, comíamos uns chocolates ou gelados derretidos, vendidos por vendedores ambulantes, marca da casa dos nossos estádios. Não se comiam pipocas nem se urinava em casas-de-banho de menina! E vibrávamos com aquele futebol tosco, comparado com o actual, mas que nos enchia as medidas, nos levava a entrar na semana de espírito cheio, ou nos arruinava esses já de si medonhos finais de tarde de Domingo! Tudo terminava aí, porém, quando se conferiam os resultados pela rádio, após um longo e castiço relato, cumprido pelos senhores da rádio, que nos traziam sempre o futebol de todos os outros campos.
Hoje não. Começa-se a jogar à Sexta-feira, prolonga-se Sábado e Domingo e ainda há jogo à Segunda à noite. Entretanto, já os comentadores de todas as estações comentaram e escalpelizaram as refregas do fim-de-semana e passaram dezenas de minutos a discernir toques subtis, foras-de-jogo humanamente inassinaláveis e manhosas simulações, esquecendo a beleza do jogo e os falhanços dos jogadores pagos a peso de ouro. Os comentários prolongam-se Segunda, em dose dupla e Terça, Dia pós-campeonato em que começam as competições europeias, que se estendem até Quinta, véspera de começar outra jornada da Liga. Entretanto, mais resumos e comentários e análises. E não houve dia de descanso, para pensar e efectivar o trabalho, nem analisar a inoperância política e a farsa governativa, a debilidade estrutural da economia, a insipiência cultural e a miséria social. Nem para Deus há espaço, e o profano geme definhado. É uma psicose e uma paranóia, que até me leva a aqui vir todos os dias, e matutar e perscrutar futebol, e as suas estruturas e percursos e a gizar novos caminhos e novas metas. Tenho saudades do futebol de Domingo à tarde. De só ver os holofotes das Antas nas recepções a Benfica e Sporting e quando albergávamos a Selecção. Hoje em dia, quantas equipas jogaram à luz do dia no Dragão? Até o Sertanense teve que esperar pela noite, não fosse o dia tramar o Porto, como tramou com o Atlético, bafejado pela gloriosa luz do insigne Febo.
E os miúdos? E a formação? E aqueles nossos colegas que jogavam no clube da freguesia, transportando, já depois do lanche (que heresia!) a sua bolsa com as cuecas e as meias para o banho depois do tardio treino? E quando ouvíamos falar daqueles que jogavam no Porto? Que heróis! Os hoje treinadores Jorge Costa, Domingos, Paulo Bento, ou os directores desportivos Rui Costa, Fernando Couto ou Vítor Baía? Hoje a formação não conta para nada. Não se fazem jogadores, mas artistas de circo; não se fazem homens, mas vedetas e discípulos de um Cristiano Ronaldo que hoje, aos 25 anos, já só marca aos estouros, coisa feia aqui há muitos anos, não sabendo já, fazer uma finta, ou levar-nos ao êxtase daqueles Domingos à tarde, em que os mais velhos nos iniciavam nesse fenómeno estelar chamado futebol.
Acabemos com a paranóia. E com os milhões deitados à rua, a sustentar vedetas e figuras amorais e imorais, que só nos transmitem a sua errância pecadora e as suas falhas num pleno humano que não existe. Não precisamos de voltar aos pelados e às chuteiras rotas. Só precisamos de ter apenas 90 minutos de futebol por semana e antes do jantar de Domingo só nos lembrarmos que amanhã é dia de aulas e de trabalho. Nada mais. E que para a semana, e ainda falta uma série de dias até lá, o futebol regressará, para nos encantar e espantar.
PS - Admiro o Jorge Costa e a forma como sempre jogou e a forma como hoje lida cm o futebol. E estes podres de que falei:
Na sexta-feira, Jorge Costa, a propósito do despedimento de Carlos Queiroz, deu a entender que havia clubes que não estavam a facilitar a vida à Selecção Nacional, demonstrando desagrado por aquilo que se estava a passar no seio da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse mesmo dia, prometeu mais conclusões para o final do jogo com a Naval. E o assunto veio mesmo à baila. "Fico contente porque não me enganei. Queria aproveitar para dar os parabéns aos departamentos médicos de um clube estrangeiro e dois portugueses", sem nunca se referir aos visados. No entanto, O JOGO questionou o treinador da Académica se estava a referir-se a Real Madrid, FC Porto e Benfica, sendo que Jorge Costa, no momento em que abandonava a sala de imprensa, soltou um "é por aí". Recorde-se que Cristiano Ronaldo e Varela, embora dados como clinicamente inaptos para a Selecção, jogaram por Real Madrid e FC Porto, respectivamente, enquanto Fábio Coentrão falhou, também por lesão, o jogo de Portugal na Noruega, embora tenha actuado pelo Benfica na última sexta-feira.
Concordo com este saudosismo. Infelizmente, agora o futebol é jogado por SADs e não clubes, cujo principal interesse é capitalizar os jogos e maximizar os lucros. É o futebol que temos. Desconfio que os jogos dos grandes, quer à noite, quer na tarde de domingo, teriam os mesmos tele-espectadores. Quanto aos mais pequenos que já passam na televisão, talvez esses sim, po-los a jogar noutra vaga. Imaginemos que começavam as 15h os jogos e às 17h os jogos com os grandes. Depois, culminava o domingo à noite com o saudoso domingo desportivo.
ResponderEliminarQuanto aos grandes medicos, so nao percebo como é que, em caso de duvida, os medicos da selecçao iriam mentir. É estranho eles nao zelarem pelo interesse da selecçao, em caso de mentira. Nao sei...
Quem paga o soldo a esses médicos? Q já lá estão há tanto tempo como os Amândios Carvalhos e Carlos Godinhos?... Essa corja é sustentada pelos clubes e borrifa-se se joga A, B ou C. Um Europeu ou um Mundial é só mais uns ordenados e subsídios e prémios.
ResponderEliminarAliás, basta ver qtos amigáveis jogou o Reinaldo em toda a carreira e tentar perceber pq é q o Moutinho ñ jogou na Noruega!
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